domingo, 28 de fevereiro de 2010

AS CIGANAS BRASILEIRAS


Segundo estudos do antropólogo Frans Moonen (2008), a primeira aparição oficial de ciganos/as[1] no Brasil foi em 1574, quando a família do cigano João (de) Torres foi deportada de Portugal para a colônia (esse caso, ao que parece, foi um caso isolado, numa situação única naquele momento). O expurgo dos grupos ciganos[2] em Portugal deveu-se ao fato de que a Península Ibérica era considerada a região mais devotada aos dogmas do Catolicismo. Embora os grupos ciganos se identifiquem como religiosos, (não possuem uma religião oficial, podendo pertencer às diversas religiões; dependendo do local onde permanecem) algumas de suas práticas ancestrais divergiam com as crenças da Igreja Católica, como as cerimônias próprias de casamentos, de batizados, as práticas divinatórias de suas mulheres (quiromancia, leitura de cartas, etc.), suas danças, suas festividades particulares, e eram comumente vistos como pagãos. Desta forma, sua permanência em solo português não era desejada, pois condizia com um comportamento não tolerado pelas sociedades católicas, afinal, eram considerados como imorais (Teixeira, 2008). As deportações iniciaram-se fortemente a partir de 1686, quando da necessidade de povoar as terras nordestinas (a preferência foi pelo Maranhão) e para manter essas comunidades ciganas afastadas das áreas de riqueza naquele momento e dos portos brasileiros (Moonen, 2008). No século seguinte, Salvador tornou-se a principal cidade para a comunidade cigana no país, agregando muitos deles. Teixeira (2008) explica que a deportação de ciganos/as para o Brasil teve continuidade até o final do século XVIII: "A deportação de ciganos portugueses continuou pelo menos até o final do Século XVIII. De 1780 a 1786, o secretário de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos, Martinho de Melo Castro, enviou grupos de 400 ciganos anualmente para o Brasil" (p.21). A cidade do Rio de Janeiro foi o local onde as comunidades ciganas tiveram alguma valorização, sendo que muitos deles acumularam riquezas e trabalharam em cargos oficiais durante o século XVIII e início do XIX. As suas danças e músicas eram presença constante nas festividades da família real (Moonen, 2008). Entretanto, apesar dessa relação entre eles, a sociedade continuava a estigmatizar os grupos ciganos como ladrões, vagabundos, entre outros, depreciando-os e, dessa forma, enaltecendo os princípios cristãos (religião do povo em construção na colônia e religião da metrópole). Apesar de esses grupos terem se adaptado e trabalhado com diversas atividades, entre elas o de comerciantes de escravos, ele se tornou um incômodo para as elites brasileiras do século XIX, que visavam construir uma identidade nacional baseada numa "limpeza étnica" disfarçada de "reformas urbanas", de modernização. Visavam, sobretudo, o patriotismo enaltecendo a "raça" nacional, a miscigenação entre o europeu, o africano e o indígena, mas sem mencionar a população cigana, segundo Teixeira (2008, p.48): "no Brasil eram tidos como raça maldita, inferior e, que para o mal da nação, não se misturava".Tínhamosa importante questão de que essas comunidades estavam perdendo suas riquezas devido à abolição da escravatura, à mão-de-obra assalariada, às imigrações incentivadas pelo Brasil, foi um fator importante na perda de qualificação positiva dessas comunidades para as elites cariocas (Teixeira, 2008).
Vamos agora direcionar nosso olhar para a realidade das ciganas no país. O que o autor analisa é que havia uma contradição entre o comportamento das mulheres ciganas e das "mulheres de elite" no século XIX. A "mulher de elite" ficava restrita ao seu lar, se inteirando dos assuntos apropriados para ela, já a mulher cigana tinha a liberdade de ir-e-vir, e por esse mesmo motivo, acabava por conhecer melhor a realidade da sociedade que a cercava. Contudo, existem diferenças entre a visão de ciganos e de ciganas para a sociedade nacional. Os ciganos eram descritos, geralmente, como sujos, preguiçosos, vadios, pobres, livres e ladrões. Sobre as ciganas, tem-se que elas praticavam a quiromancia, e mendigavam pelas ruas, quando necessário. Quanto aos estereótipos físicos, isto é, relativos à aparência, Teixeira (2008) pesquisou que algumas qualidades do modelo de beleza grego eram assimiladas para a comunidade cigana pelo olhar do Outro. Isto significa que os homens ciganos eram descritos como belos homens, de cabelos negros e olhos marcantes. Já as mulheres ciganas: "as mulheres jovens eram consideradas belas e atraentes, mas era uma beleza fadada a desaparecer rapidamente [...] algumas velhas são descritas como decrépitas" (Teixeira, 2008, p.65).
A respeito dos corpos, Simone de Beauvoir (2002) ressaltou que o corpo não é uma coisa e sim uma situação: "é a nossa tomada de posse do mundo e o esboço de nossos projetos" (p.54). Mas os e as ciganos/as são corpos ainda inexistentes em solo nacional, pois, na pesquisa de Moonen (2008), uma das grandes carências dessa população é o acesso negado à cidadania. Negado porque lhe é dificultado através de burocracia brasileira. Os registros civis, como bem observou o pesquisador, são uma raridade entre esses povos. Mas, não porque eles não os queiram, e sim por causa dos trâmites e barreiras que lhes são impostas para ter acesso aos documentos necessários, sendo ainda uma etnia que possui grande parte de seus direitos negados. Sobre a educação das ciganas, Moonen destaca que é uma questão delicada (até pela falta de documentos comprobatórios e exigidos para a matrícula, bem como o material didático, etc.), e das poucas crianças que freqüentaram a escola (dentro da localidade citada, um rancho de ciganos/as em Sousa – PE): "Pelo menos três meninas desistiram de frequentar as terceira e quarta séries, pelo fato de estas serem ministradas à noite. Entre a escola e os ranchos fica uma área deserta e, não sem motivo, as meninas tinham medo de serem molestadas por elementos não-ciganos da cidade de Sousa" (Moonen, p.154). Ou seja, o problema da falta de educação, ou educação precária, era mais grave para as meninas ciganas, já que havia o perigo da violência sexual.
Sem educação e preparo profissional, restam a essas mulheres os serviços de mendicância ou quiromancia pelas ruas das cidades. Entretanto, essas atividades têm um peso muito forte na maneira como são enxergadas pela sociedade de não-ciganos/as, como veremos nesse pequeno trecho da pesquisa de Moonen (2008):
Outras pessoas quando são abordadas pelas vigaristas, afastam o mal pela raiz e afirmam que as ciganas são um bando de vadias. "Essas vadias, trambiqueiras vivem no meio da rua perturbando os outros. Elas esperam uma oportunidade para roubar", afirma MA, de 50 anos. Ela acredita que todas as pessoas deveriam expulsar as ciganas da Lagoa" (João Pessoa, O Norte, 16.10.93). [...]
Depois disto tive contato com estes ciganos, Calon oriundos da Bahia, durante o mês seguinte e constatei: [...] (b) que nunca jornalista algum teve coragem de visitar pessoalmente o acampamento cigano; (c ) que apenas meia dúzia das mulheres adultas sabia ler a mão e "saía pra rua" (na realidade uma praia distante, mas muito visitada por turistas, ou então a 'Lagoa', no centro de João Pessoa) e que as outras que não dominavam esta arte, nunca saíam do acampamento(p.164- 165).
Se a vida dos ciganos foi bastante complicada no Brasil, devido ao preconceito, imaginemos então a vida das ciganas, portanto. As mulheres ciganas foram impossibilitadas de desenvolverem-se em sua plenitude por quase os mesmos motivos que todas as mulheres tiveram seu desenvolvimento dificultado no passado: pelo fato de pertencerem ao sexo feminino e ao gênero mulher.Ademais,como vimos, as ciganas ainda possuem outras características dadas a elas pela sociedade não-cigana como mulheres vagabundas, trapaceiras, falsas, entre outros. Entretanto, nada tão diferente do modo como a sociedade trata as demais mulheres que se afastam de algum estereótipo adotado (como a "Amélia" no passado). Mas se para as mulheres ocidentais já foi complicado romper com as normas vigentes a respeito do comportamento de homens e mulheres, a lutar pelo reconhecimento da mulher como sujeito da história, a lutar pelos direitos das mulheres, para as ciganas desassistidas essa luta é bastante delicada. Delicada porque envolve características culturais, étnicas e valores morais de acordo com cada sociedade, mas o(s) feminismo(s) deve(m) assegurar que cada cigana tenha o direito de ser respeitada, de ter capacitação profissional, de ter uma organização feminista para apoiá-las em suas necessidades, de exercer sua cidadania.
o(s) feminismo(s) e as ciganas brasileiras: o diálogo?
Os movimentos de mulheres e os movimentos feministas emergiram como uma força em potencial por toda a América Latina devastada pela ditadura.A existência de uma "dominação masculina" nos termos de Bourdieu[3] em ambientes domésticos e na arena pública levou as feministas a proclamarem a autonomia de seus movimentos e a criação de instituições verticais, como encontros e Congressos específicos, nos quais estavam presentes: operárias metalúrgicas, empregadas domésticas, mulheres politizadas, mulheres da periferia, ativistas políticas, etc. que produziam plataformas de lutas que incluíam direitos específicos (Moraes, 2003).
Devido ao poder de mobilização conferido a esses movimentos de mulheres e feministas, alguns organismos internacionais, com forte influência da hegemonia norte-americana, propõem "parcerias" no sentido de realizar uma integração desses movimentos com o sistema social, é o início das ONGs de cunho feminista na América Latina (patrocinadas pela norte-americana Ford Foundation e a holandesa NOVIB).
Na "Década da Mulher", estabelecida pela ONU em 1970 (e, dentro dessa o "Ano Internacional da Mulher", em 1975), as campanhas nacionais desses movimentos denunciaram as mortes de mulheres por crimes "de honra", o sexismo em livros escolares e o assédio sexual (Moraes, 2003:14). Assim, a agenda feminista foi incorporando demandas cada vez mais específicas. Barsted (1994) informou que ao longo da organização do Movimento, duas questões básicas foram aprofundadas, "dentro de um universo temático mais amplo", que influenciaram consideravelmente na proposição de políticas públicas: saúde/sexualidade e violência. Estas questões estavam inseridas num contexto maior que era o de uma "intensa mobilização para eliminar da legislação em vigor todas as formas de discriminação contra as mulheres", tal como recomendava a Convenção das Nações Unidas de 1979 – Convenções Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (p. 43).
Os movimentos feministas[4] se revelaram atores importantes que tomaram para si a tarefa de representar os direitos das mulheres e lutarem por esses direitos dentro da sociedade. O feminismo foi desenvolvido como uma espécie de protesto contra a exclusão das mulheres da vida política, do meio público, com o objetivo de eliminar a diferença sexual na política (Scott, 2005). Entretanto, como é um conceito que forneceu bases a uma teoria, está sujeito a interpretações e reinterpretações de acordo com o contexto histórico no qual ele se desenvolve. E, sendo assim, é o lugar, ou arena (Schimidt, 2004) onde são escutadas as vozes daquelas que reclamam seu espaço, onde discursos são proferidos, analisados e passíveis de ação. Desta forma, e de acordo com Scott (1998, p.116), percebemos que "a estrutura social constrói as relações homens/mulheres e a ideia da mulher". Portanto, a estrutura social também constrói a relação mulheres/homens e a ideia de uma mulher cigana. Assim sendo, a desconstrução do pensamento coletivo acerca das características das ciganas deve ser realizada com a finalidade de uma construção igualitária das ciganas como sujeitos da história brasileira. Essa desconstrução e construção devem ser baseadas na informação da sociedade e assim, na quebra do preconceito, pois como disse Elvia P. Arriola (1994):
A igualdade está inextricavelmente ligada ao fenômeno social que chamamos de discriminação. No nível mais simples, ocorre discriminação sempre que as interações entre pessoas se baseiam em suas diferenças pessoais. O estabelecimento de diferenças entre pessoas é muitas vezes encarado como nossa reação natural à vasta diversidade de experiência humana (p.391).
Sabemos que uma cultura diferente da qual se foi criado é um elemento enigmático e que causa estranheza, porém no caso das ciganas a questão é um pouco mais delicada. Dentro da cultura a qual chamamos de cigana, existem diversas culturas, ou seja, não existe unicidade na cultura cigana, pois esta tende a adaptar-se aos locais por onde passa, e assim, estar em constante mutação e inovação de suas culturas. Pela simples ignorância da versatilidade de outras culturas (principalmente de culturas que não estão dentro de alguma nação), os ciganos e as ciganas são vítimas de uma visão equivocada presente no Brasil desde sua colonização. Entretanto, para que se possa reverter esse quadro discriminatório acerca das ciganas (e dos ciganos também) é necessário evidenciar essa questão praticando a discriminação, tal qual nos fala Joan Scott (1998), de que ao evidenciar os riscos que um determinado grupo social passa, nós (pesquisadoras e pesquisadores) corremos o risco de essencializá-los. Mas tal risco deve ser corrido, isto é, esse paradoxo deve ser enfrentado com a finalidade de resgatar a dignidade dessas pessoas e dar o devido lugar a elas na história, assim como torná-las cidadãs efetivas, com seus direitos e deveres, sem preconceitos e discriminações.
Assim sendo,o(s) feminismo(s) é o labirinto no qual os fios do preconceito, da discriminação, da desigualdade vão se perdendo, a arena de discussão ideal para esse resgate histórico e pelos direitos das mulheres ciganas do Brasil, como disse Vera Soares:
Diferentes motivos levam a apontar o feminismo como um projeto que teve êxito em tornar visível uma problemática que antes não estava presente nos movimentos populares, nem nos movimentos sociais tradicionais, nem tampouco no nível político, seja de esquerda, de direita ou centro. Ao mesmo tempo em que apontou para a exclusão das mulheres na sociedade, criou novos paradigmas para análise desta situação e inscreveu-se como tema das pesquisas acadêmicas – as idéias do feminismo se instalaram em diversos espaços do social e do teórico (p.22, 1994).
Desta forma, o(s) feminismo(s) pode elucidar as diferentes representações da mulher nas diferentes sociedades, e explicar e separar a relação entre o aspecto biológico[5] dos corpos, a personalidade e o comportamento que determinam a posição social das mulheres. Assim, percebemos a reprodução de certos estereótipos femininos em sociedades diferentes (Nicholson, 2000).
Ou seja, o(s) feminismo(s) pode(m) tornar visível a situação das ciganas brasileiras, expondo seus problemas diante da sociedade e exigindo a igualdade no tratamento dispensado a elas, porém, é necessário que façamos uma pergunta: Por que o(s) feminismo(s) não olhou para as mulheres ciganas? Quiçá elas já tivessem seus direitos assegurados? Ou, como temos um parco conhecimento sobre suas culturas, nós deduzimos que não era preciso olhar para elas? Infelizmente, o material para pesquisas é escasso, ainda mais sobre mulheres ciganas brasileiras, mas o(s) feminismo(s) pode reverter esse quadro, investindo em pesquisas sobre esse universo ainda inexplorado pelo(s) movimento(s).Contudo, é vital que se desconstrua o pensamento coletivo acerca das ciganas brasileiras, e coloquem-nas como sujeitos histórico-sociais, tal qual Butler (1998, p. 34) afirmou: "Desconstruir [6]não é negar ou descartar, mas pôr em questão e, o que talvez seja mais importante, abrir um termo, como sujeito, a uma reutilização e uma redistribuição que anteriormente não estavam autorizadas".
O(S) FEMINISMO(S) E AS mulheres CIGANAS: paira UM OLHAR FEMINISTA SOBRE elas?
De acordo com a Associação de Preservação da Cultura Cigana (APRECI), cerca de um milhão de ciganos/as vivem em território brasileiro (Juste, 2005). Destes, cerca de 250 mil vivem em acampamentos, segundo dados da Pastoral da Criança (Gandra, 2008). Entretanto, apesar desses números serem estatísticas é fato que essas comunidades têm grandes carências na área da educação, saúde, trabalho, por exemplo. Mas e as mulheres ciganas? Além dessas carências de toda a população cigana, elas ainda enfrentam outras mais: os mais de 30 anos de Feminismo(s) no Brasil não foram suficientes para incorporar a demanda dessas mulheres por proteção e respeito. Nesse artigo não pretendo analisar as comunidades ciganas em sua formação patriarcal, em sua história, mas sim o olhar que a sociedade repousa nas mulheres ciganas e quão invisíveis elas estão pelos movimentos feministas. As mulheres ciganas foram estigmatizadas no Brasil como "miseráveis e desonestas quiromantes", mas com o passar do tempo outros rótulos lhes foram impostos, tais como "uma mulher forte, sensual e, ainda que vingativa e passional, fascinante" (Teixeira, 2008, p.08).
Quero refletir rapidamente sobre as imagens de ciganas que vemos quando acessamos o buscador Google da internet. São imagens de mulheres jovens, lindas, esculturais, com vestimentas provocantes, cabelos esvoaçantes, peitos fartos, cinturas bem marcadas, poses sensuais e poses lânguidas. Na maior parte de blogs destinados a "discutir" essas comunidades ciganas e seus hábitos culturais, vemos esse tipo de imagem. Em cerca de três meses de busca pelo Google encontrei poucos blogues no qual também mostravam pinturas de ciganas mais velhas, mais corpulentas, em suma, mais reais. E uma artista[7] conhecida entre os/as admiradores/as dessa cultura que também retrata ciganas de formas variadas, isto é, magras, corpulentas, novas, envelhecidas, crianças, porém há apenas algumas telas com essas características mais reais, embora não encontrei telas de ciganos mais velhos, mais corpulentos ou garotos. Porém ainda assim, a maioria de suas telas retrata belas e jovens ciganas. Ou seja, essas imagens sensuais reforçam o estereótipo da mulher cigana como uma mulher extremamente sexual, provocativa, o que em nada reflete a verdade sobre elas.Existem sites e blogues (como o já citado) que se dedicam a quebrar esse estereótipo[8], mas são poucos e pouco divulgados. Há um contrasenso na sociedade: se por hora as mulheres ciganas são tidas nas imagens e representações como jovens sensuais, por outra, as mulheres (reais) nas ruas são vistas como "charlatã[s], maltrapilha[s] e trambiqueira[s]" (Veloso, 2008). Segundo a pesquisa de Letícia Veloso, o preconceito em torno da mulher cigana a impede de se identificar como tal em situações como o mercado de trabalho, na entrevista de emprego. Há um relato interessante em seu texto feito por uma cigana (Maria José Cotê), que reproduzo aqui: "Uma vez, me disseram que não poderia ser cigana, pois, era limpa e educada. O que essas pessoas não imaginam é que as ciganas andarilhas (que vivem em acampamentos) têm uma vida sofrida e de luta" (Veloso, 2008). O antropólogo Frans Moonen (2008) realizou uma breve pesquisa sobre as comunidades ciganas de Souza (Paraíba) em 1993, e de suas análises podemos retirar para nosso estudo uma passagem muito incômoda. Moonen não comprova a informação, entretanto, ele pede em seu texto que "pessoas competentes da área médica" investiguem essa informação, que é um indicativo de que poderia sim ter ocorrido, como já houve casos parecidos no Nordeste no qual se trocavam as esterilizações (gratuitas) de mulheres por votos políticos. Assim:
Perguntado sobre a diminuição do número de filhos, vários ciganos responderam que era por causa da pobreza e da miséria em que vivem hoje [...] Mas houve também quem acusasse médicos de uma maternidade local de esterilizar mulheres ciganas. Pelo menos umas dez mulheres já fizeram cesarianas, e parte dessas mulheres teve as trompas ligadas. Em pelo menos três casos, a laqueadura foi feita sem conhecimento e sem consentimento do casal, apresentando os médicos depois uma mistura de justificativas médicas e sociais (do tipo: "a senhora poderia morrer se tivesse outro filho" e "a senhora não tem condições de criar mais outros filhos"). Outra cigana esterilizada, no entanto, elogiou a atitude dos médicos e confirmou que, pelo menos, no seu caso particular, a laqueadura realmente tinha sido necessária por motivos médicos e que tinha concordado antes (p. 140).
Moonen ainda informou que pouco se sabe sobre as atividades, de fato, das ciganas do município pesquisado por ele, mas acredito que pouco se sabe sobre as ciganas brasileiras. Como vivem? Quais as dificuldades? O que esperam da vida? E mais, podemos perceber alguma influência dos feminismos dentro desses grupos? Por enquanto o material bibliográfico é escasso no país, e pesquisas de campo necessitam serem realizadas para nos fornecer as respostas. Afinal, somente dessa forma poderemos apreender as mulheres ciganas, como bem ressaltou Beauvoir (2002):
Assim como não basta dizer que a mulher é uma fêmea, não se pode defini-la pela consciência que tem de sua feminilidade; toma consciência desta no seio da sociedade de que é membro [...] uma vida é uma relação com o mundo; é escolhendo-se através do mundo que o indivíduo se define; é para o mundo que nos devemos voltar a fim de responder às questões que nos preocupam (p. 69).
Seguindo essa mesma linha, Linda Nicholson (2000) afirmou que o corpo acaba por se tornar uma variável que não mais fundamenta as noções distintivas entre masculino/feminino, mas sim é o elemento "potencialmente importante" na maneira como essa distinção "permanece atuante em qualquer sociedade" (p.15). Assim, existe uma tendência nas sociedades patriarcais a se pensar na identidade sexual como um dado natural, imutável, Mas, segundo a autora, para que se possa desconstruir essa noção, faz-se necessário enfraquecer essa tendência através da contextualização histórica. Portanto, ao entendermos como se deu o processo de "enraizamento histórico" da identidade sexual na forma de algum "produto de um sistema de crenças específico de sociedades modernas ocidentais", é possível compreender a "diversidade profunda" na qual essa distinção masculino/feminino pode tomar corpo (Nicholson, 2000, p.15).
Há uma necessidade pungente de uma práxis feminista quanto às necessidades das mulheres ciganas por sua integralidade na sociedade. Há uma necessidade latente de se historicizar as mulheres ciganas no Brasil e suas relações dentro e fora de suas sociedades, seu pertencimento à sociedade brasileira, cidadã brasileira como as mulheres de outras etnias. O(s) feminismo(s) deve buscar entender o que significa ser uma mulher cigana no Brasil, para assim interpretá-la, analisá-la, e poder contribuir para desenvolver políticas públicas para essa parcela da sociedade, levando em conta a sua especificidade. Esse olhar feminista deve ser lançado sobre essas mulheres e suas histórias, para que se reconstruam suas identidades, para que os/as brasileiros/as compreendam a importância histórica desses sujeitos "filhos e filhas do vento" e os/as incorpore como compatriotas, com respeito mútuo em busca de uma sociedade mais igualitária. "
Referências Bibliográficas
ARRIOLA, Elvia R. 1994. Desigualdades de gênero. Revista Estudos Feministas, n.2
BEAUVOIR, Simone de. 2002. O Segundo Sexo, vol. I. 12ª ed. Tradução de Sérgio Milliet. Nova Fronteira: Rio de Janeiro.
BUTLER, Judith. 1998.Fundamentos Contingentes: O feminismo e a questão do "pós-modernismo". Cadernos Pagu. 11 p. 11 – 42.
FILHO, Nélson Pires. 2005. Ciganos Rom-Um povo sem fronteiras, Ed. Madras: São Paulo.
GANDRA, Alana. 2008. Número de ciganos que vivem em acampamentos no Brasil é estimado em 250 mil. Agência Brasil. 30 de março de 2008. Disponível em: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/30/materia.2008-03-30.2062616719/view. Acessado em 20 de junho de 2009.
JUSTE, Marília. 2005. Ciganos querem documentação diferenciada. 04/07/2005. Disponível em: http://www.pnud.org.br/raca/reportagens/index.php?id01=1294&lay=rac#, acessado em 20 de junho de 2009.
MOONEN, Frans. 2008. Anticiganismo: os ciganos na Europa e no Brasil. Núcleo de Estudos Ciganos. Recife. Disponível em: www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html.
NICHOLSON, Linda. 2000. Interpretando o gênero. Revista Estudos Feministas, ano8, p.9-41.
SCOTT, J. W. 1998.Entrevista com Joan Wallach Scott. Revista Estudos Feministas, ano 6.
SOARES, Vera. 1994. Movimento Feminista: Paradigmas e desafios. Revista Estudos Feministas, ano 2.
TEIXEIRA, Rodrigo Corrêa. 2008. História dos ciganos no Brasil. Núcleo de Estudos Ciganos, Recife. Disponível em: www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html.
VELOSO, Letícia. 2008. Autonomia das mulheres ciganas em família, na sociedade e no mercado de trabalho. Revista Autor. Em: 01/12/2008, disponível em: http://www.revistaautor.com/index.php?option=com_content&task=view&id=328&Itemid=38, acessado dia 06 de julho de 2009.
[1] Segundo Teixeira (2008): "os ciganos pensam em si próprios de forma fragmentária. Cada cigano tem uma forte identificação com seu grupo familiar ou com as famílias que têm o mesmo ofício. Mas não existe uma identidade única entre todos os ciganos" [...]. No domínio dos ciganos, não existem senão múltiplas identidades. Daí que o termo cigano não designa as comunidades por nomes que elas próprias dão para si. Ele designa, isto sim, uma abstrata imbricação de comunidades ciganas. A diferença é muito grande, pois na realidade não existem ciganos, mas sim diversas comunidades (historicamente diferenciadas) chamadas de ciganas, mantendo relações de semelhança e/ou dessemelhança umas com as outras. (p.10-11)
[2]Frans Moonen (2008) explica que o chamado grupo cigano é constituído, na verdade, de ciganos/as de origem Calon, Sinti e Rom, e que entre esses também há subgrupos. Ou seja, quando falamos em ciganos/as estamos reunindo sobre uma mesma denominação diferentes grupos, com diferentes aspectos culturais ciganos. Entretanto, para facilitar nosso estudo, eu mencionarei (de um modo geral) grupos ciganos ou etnia cigana, como são popularmente conhecidos/as.
[3] As diferenças entre os gêneros são naturalizadas através da biologia, ou seja, os órgãos reprodutores ditam o lugar na sociedade a qual os gêneros pertencem. Esse pensamento naturalizador permite que as diferenças entre os sexos seja o mote fundamental para a dominação do homem sobre a mulher na sociedade. A dominação masculina é uma hierarquia historicamente criada do homem sobre a mulher, baseada nessas naturalizações superficiais. Essa hierarquia relegou ao gênero feminino os recônditos da esfera privada, enquanto para o gênero masculino a esfera pública era seu reino.Bourdieu, em A dominação masculina, pretendeu revelar como a estrutura de dominação masculina foi construída, se naturalizou e se mantém na sociedade, sendo reproduzida por ela.
[4]Uso aqui Movimentos Feministas, pois esses movimentos são heterogêneos, tendo diferentes correntes ideológicas, diferentes nomeações como: Feminismos Contemporâneos, Feminismos Socialistas, Feminismos de cunho Liberal, etc. Os Movimentos Feministas lutam pela questão de gênero, por questionar os sistemas culturais e políticos construídos através do gênero, pela sua autonomia em relação a outros movimentos e pelo princípio da horizontalidade, isto é, da não existência de hierarquias (Costa, 2005).
[5] "As feministas há muito vem percebendo como argumentos relativos às explicações biológicas para personalidade e comportamento generalizam equivocadamente aspectos específicos da personalidade e do comportamento para todas as sociedades humanas. Mas o fundacionalismo biológico não equivale ao determinismo biológico porque, ao contrário deste, inclui algum elemento de construcionismo social (Nicholson, 2000, p.13)."
[6] Ainda segundo a autora, ao desconstruir conceitosnão estamos negando-os ou recusando-os, mas sim que continuaremos a "usá-los, repeti-los, repeti-los subversivamente, e deslocá-los dos contextos nos quais foram dispostos como instrumentos do poder opressor" (Butler, 1998, p.38).
[7] Blog de Valéria Fernandes, chamado "Vida Cigana", link:http://losciganos.blogspot.com/
Artista: Maria do Carmo da Hora, link: http://www.flogao.com.br/ciganinhas
[8] Blog Ciganos do Brasil, link: http://ciganosbrasil.ning.com/;
Blog Direitos dos Ciganos, Direitos Humanos (DHnet), link: http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html ;
Site: Studium 9 (Mulheres ciganas: entre a exuberância e o mistério), link: http://www.studium.iar.unicamp.br/nove/4.html?studium=index.html (não concordo com o texto, mas sim com a exposição de fotos de ciganas reais); Blog Etnia Cigana : http://www.etniacigana.blogspot.com (nesse blog existem vídeos explicativos sobre a sociedade cigana feitas pela cigana Jade).

Fernanda Amaral
Fonte:webartigos.com

ÁREA DE ATUAÇÕES DOS CIGANOS


É vasta a atuação das entidades ciganas nos trabalhos dos templos de Umbanda.Gira de Ciganos é uma festa, sempre com alto astral, músicas alegres e dança. Fica um misto de magia e encantamento no ar.Ciganos podem manipular sua magia para ajudar nos romances; a prosperidade; a saúde física, emocional e espiritual; nas viagens; entre outras situações.Quando forem consultar com esses amigos, digam o que desejam sem medo de críticas, abram o coração, se ouvirem besteira, não é da entidade, é do médium que não se permite ouvir e sentir verdadeiramente a entidade e acaba usando seus próprios pensamentos e preconceitos.Outro grande atrativo, é a cartomancia, que sempre fascina, mesmo aos que se dizem céticos.A magia cigana é eficaz e suave; misteriosa e simples.Sou suspeita por ser simplesmente fascinada por esses espíritos. Tento entendê-los, conhecê-los, aprender e apreender o máximo que conseguir de suas essências.Ciganos de alma, assim nos chamam, esses filhos do vento, filhos do mundo.Ainda é um mistério essa chamada "Linha auxiliar", mas eu não me canso de percorrer as suas pegadas espirituais de amor e magia.Nossa Umbanda vem crescendo, ao contrário do que alguns pensam. E esse crescimento tem se dado no nosso plano físico, com muitos interessados em conhecer a religião, e com o contínuo espaço que os dirigentes tem aberto para os trabalhos das Linhas auxiliares. Por falar nisso, outro povo que me encanta, mas de modo diferente, são os Baianos da Umbanda. Eles são de uma energia, que contagia intensamente. Falarei sobre eles no meu blog sobre Umbanda em geral.Voltando ao trabalho dos Ciganos nos atendimentos a assistência dos Terreiros, além do que já foi mencionado, eles também são ouvintes e conselheiros, sempre apontando uma saída para nossas dificuldades.Não são poucas as vezes, em que um bom conselho vale mais que qualquer trabalho de magia. É a magia da sabedoria de um povo de conhecimento milenar, que percorreu os quatro cantos do mundo, aprendeu e hoje nos ensina.

Realmente eu os amo de paixão,Salve, queridos amigos.

Claudia Baibich

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

NOMES DE CIGANOS NA UMBANDA


POR CLAUDIA BAIBICH


Cigano Aguilar
Cigano Adílio
Cigano Allan
Cigano Alberico
Cigano Alberto
Cigano Aloísio
Cigano Afonso
Cigano Angus
Cigano Alfredo
Cigano Argus
Cigano Arkell
Cigano Alexandre
Cigano Alex
Cigano Alonso
Cigano Armênio
Cigano Agenor
Cigano Arnaldo
Cigano Assis
Cigano Ávila
Cigano Avelar
Cigano Alejandro
Cigano Artemio
Cigano Antônio
Cigano Aramis
Cigano Ângelo
Cigano Atílio
Cigano Bóris
Cigano Augusto
Cigano Bartolomeu
Cigano Bastos
Cigano Benito
Cigano Benício
Cigano Bonifácio
Cigano Borja
Cigano Bosco
Cigano Brás
Cigano Breno
Cigano Bruno
Cigano Caio
Cigano Caetano
Cigano Carlos
Cigano Carlito
Cigano Celestino
Cigano Cirano
Cigano Clemente
Cigano Ciro
Cigano Camilo
Cigano Cassiano
Cigano Cláudio
Cigano Cássio
Cigano Décio
Cigano Diego
Cigano Dimitri
Cigano Domingos
Cigano Danilo
Cigano Diniz
Cigano Donato
Cigano Dario
Cigano Domênico
Cigano Escobar
Cigano Edgar
Cigano Emílio
Cigano Erasto
Cigano Emiliano
Cigano Estevan
Cigano Francisco
Cigano Fabiano
Cigano Fabrício
Cigano Fausto
Cigano Fernão
Cigano Flávio
Cigano Fúlvio
Cigano Giancarlo
Cigano Gorki
Cigano Galhardo
Cigano Genaro
Cigano Gentil
Cigano Giani
Cigano Giovanni
Cigano Giuseppe
Cigano Gregório
Cigano Guido
Cigano Hiago
Cigano Hidalgo
Cigano Herculano
Cigano Hermínio
Cigano Heron
Cigano Hélder
Cigano Hilário
Cigano Hugo
Cigano Honório
Cigano Idálio
Cigano Inácio
Cigano Ivo
Cigano Iago
Cigano Ítalo
Cigano Ícaro
Cigano Igor
Cigano Ivan
Cigano Jean
Cigano José
Cigano Jardel
Cigano Juliano
Cigano Juan
Cigano Juanito
Cigano Juvenal
Cigano Jácomo
Cigano Júlio
Cigano Jairo
Cigano Juarez
Cigano Krigor
Cigano Klaus
Cigano Laércio
Cigano Leonel
Cigano Luciano
Cigano Leandro
Cigano Luigi
Cigano Lúcio
Cigano Léo
Cigano Luíz
Cigano Marco
Cigano Manoel
Cigano Manolo
Cigano Morel
Cigano Miro
Cigano Melo
Cigano Morales
Cigano Murilo
Cigano Nikolai
Cigano Miguel
Cigano Nardo
Cigano Nico
Cigano Nestor
Cigano Narciso
Cigano Odilon
Cigano Pablo
Cigano Pablito
Cigano Palmiro
Cigano Patrício
Cigano Perez
Cigano Paco
Cigano Pietro
Cigano Pierre
Cigano Plínio
Cigano Pedro
Cigano Perón
Cigano Pero
Cigano Plácido
Cigano Paulo
Cigano Ramom
Cigano Rodrigo
Cigano Roni
Cigano Ramiro
Cigano Ramirez
Cigano Raul
Cigano Romão
Cigano Rômulo
Cigano Remi
Cigano Rene
Cigano Ramos
Cigano Ribamar
Cigano Romeo
Cigano Rui
Cigano Santiago
Cigano Sandro
Cigano Solano
Cigano Severo
Cigano Simon
Cigano Salles
Cigano Silvério
Cigano Serafin
Cigano Sérgio
Cigano Sidney
Cigano Tácio
Cigano Thiago
Cigano Tiago
Cigano Tadeu
Cigano Tomé
Cigano Valentin
Cigano Venâncio
Cigano Vagner
Cigano Vander
Cigano Vicente
Cigano Vladimir
Cigano Victor
Cigano Weslei
Cigano Wladimir
Cigano Wagner
Cigano Waldo
Cigano Waldir
Cigano Werner
Cigano Wolf
Cigano Xavier

A identificação dos espíritos ciganos masculinos na Umbanda, é bastante diferente da identicação dos espíritos femininos.
Raramente usam a denominação genérica, de falange ou campo de atuação.
Poucos usam nomes com referências do oriente, apresentando-se mais com nomes europeus e latinos.

Não encontrei nenhum espírito identificando-se como cigano das Almas, da estrada, etc.
Apenas um identificou-se como "Cigano do Oriente".
Deixando claro que, porque não encontrei, não significa que não existam espíritos masculinos ciganos usando a denominação de campo de atuação ou com simbolismos como: encantado, rosas, campo, praia etc.
Outra característica interessante foi que, no caso dos médiuns masculinos, a apresentação dos ciganos é muito rápida. Ou seja, logo no início da manifestação da entidade, ela revela seu nome à seu médium ou incorporada, através do mesmo, ao dirigente.

Cada vez mais encanto-me com esses espíritos, ainda um tanto misteriosos.


SALVE OS CIGANOS!
PARA COPIAR CITE A AUTORIA E O LINK PARA ESSE BLOG, COMO ABAIXO:

Autoria: Claudia Baibich
Fonte: http://ciganaseciganosnaumbanda.blogspot.com/

domingo, 6 de setembro de 2009

CIGANO CARLOS ZENON



Por Claudia Baibich


Descreveu-se como um homem de 34 anos, pele morena clara, cabelos na altura da base do pescoço.
Usando como trajes, uma camisa branca e uma calça marrom avermelhada, com uma faixa na cintura e botas.
Enigmatico e envolvente, contou-me um pouco sobre uma de suas encarnações.
Pertencente a uma tribo de ciganos de Malaga, e como bom andaluz, amava a música e a dança, que dominava como poucos.tinha um grave problema: o fraco por mulheres, envolvia-se com as senhoras das mais diversas culturas, e naturalmente isso acarretava desentendimentos com sua família, que já havia acertado, sua futura esposa, uma jovem pertencente a uma tribo de Cadiz.
Mesmo sendo dedicado à cultura de seu povo, havia em Carlos a necessidade de ser livre, inclusive dos costumes, que não questionava, mas não conseguia cumprir fielmente.
Seus envolvimentos amorosos e seus conceitos sobre amar e ser feliz, fizeram com que fosse afastando-se cada vez mais de sua comunidade.
Carlos não interessava-se pelo cotidiano prático, trabalhava como ferreiro e sonhava com poesias. Sua alma refinada e demasiado sonhadora, não encontrava ressonancia tão pouco aprovação entre seu povo.
Decidiu então, aceitar seu destino, como esperavam que o fizesse. Abandonou sua intensa vida amorosa e seu ócio contemplativo, para dedicar-se com afinco ao trabalho e as responsabilidades que o esperavam como um futuro chefe de família.
Casou-se, amou sua esposa, da forma que lhe foi possível, mas seu coração o inspirava a seguir, seguir sozinho, seguir sem rumo, sem amarras. Foi então que decidiu abandonar a esposa, família e tribo, em busca não sabia do que.
Partiu levando nada além da roupa do corpo, e as maldições lançadas pela esposa ferida de dor.
Após percorrer cidades e países próximos, consegue partir para o Brasil, na condição de voluntário e ferreiro, livrou-se de ser enviado como degredado.
Trabalhava duro, muito exaustivamente, mas estava feliz, omitia sua origem cigana, pois falava razoavelmente, o espanhol, o português e o italiano.
Carlos era carismático, fez amigos entre párias e privilegiados, os quais encantava com sua alegria, música e dança.
Conheceu, encantou e amou muitas mulheres, até que encontra aquela que julgou ser a razão de toda a sua busca, Eleonora.
Casou-se segundo as tradições católicas da moça, com a qual teve um casal de filhos.
Mas morreu aos 34 anos, devido a uma queda de seu cavalo, em um de seus passeios solitários pelos campos, aonde cantava e orava para aqueles que abandonou o perdoassem e fossem tão felizes como ele era.

Essse É CARLOS, O CIGANO que encantou-me por completo, o qual eu relato na minha postagem: ESPÍRITOS CIGANOS MASCULINOS .

SAUDAÇÕES QUERIDO CARLOS, QUE APRENDAMOS A AMAR E A BUSCAR ESSE AMOR VERDADEIRO, COM TU O FIZESTE!

Claudia Baibich

sábado, 18 de abril de 2009

LINHA DO ORIENTE


Por Claudia Baibich

As informações sobre as falanges espirituais das 7 linhas que trabalham na Umbanda, são extremamente raras e divergentes. Esses mistérios vêm se abrindo aos poucos, e o nosso acesso a eles é algo ainda muito restrito. As tentativas de codificações sistematizadas da religião, ainda engatinham e temos então "UMBANDAS", com uma enorme variedade de verdades absolutas, que apenas limitam e confudem.


Mas penso que se os Mentores Espirituais responsáveis por essa maravilhosa manifestação religiosa, permitem tal situação, sabem porque e o que estão fazendo. É uma religião nova e crescente, não só entre os encarnados, mas também na erraticidade.


As chamadas Linhas auxiliares, compostas pelos Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos e Povo do Oriente, não faziam parte da constituição inicial apresentada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do médium Zélio de Moraes. Mas representam hoje, importantes e atuantes falanges dentro dos trabalhos regulares das Giras de Umbanda. Nem os Guardiões Exús e Pombas Giras, estavam presentes, de modo explícito, na organização espiritual inicial da Umbanda.


"O Povo do Oriente" é composto de espíritos que atuam de modo efetivo nos processos de curas físicas, emocionais e espirituais. Formado por espíritos chamados de médicos do astral. Esses médicos do astral, não são necessariamente espíritos de médicos convencionais, como podemos pensar. Mas espíritos muito, muito evoluídos de grandes sábios, profundos conhecedores de química, biologia, psicologia, física,medicina oriental, técnicas de curas milenares com uso e domínio da energia mental e espiritual sobre energia condensada da matéria.


Essa linha, também, trabalha na Umbanda, mas está presente em muitos outras manifestações espirituais como Centros kardecistas e outras Fraternidades,


sendo denominados de "Mestres" e "Mestras", pois são conhecedores, zeladores e guardiões de grande sabedoria ancestral, revelada apenas aos "escolhidos iniciados".
Embora chamada de Oriente, agrega espíritos que tenham encarnado em diversos continentes de nosso planeta e ainda de outros sistemas do Cosmos, ou seja, algo que está muito além de nossa limitada capacidade de elaboração intelectual.


É a Linha de trabalho com o poder de acessar as egrégoras de pura luz de mestres ascencionados, profetas, santos e tronos angelicais.


Usam como elemento principal em seus trabalhos, o ectoplasma dos médiuns e assistentes presentes, raramente usam os elementos materiais convencionais utilizados por entidades de outras linhas da Umbanda. Quando o fazem, servem-se de luzes e cores, cristais e materiais de radiestesia, contas e rosários budistas e hindus, ou outros objetos específicos ao trabalho daquela entidade especificamente, ou ao caso que estejam tratando.


Suas manifestações mediúnicas, em seus médiuns podem se dar em forma de incorporação (quando na Umbanda) psicofônia; psicografia mecânica,semi-mecânica, intuitiva; efeitos físicos (cura,materialização, transfiguração, transporte...), atuam através de seus médiuns passistas, também nos passes aplicados nas sessões de Centros kardecistas.


O médium ativo dessa linha, não deve fumar ou consumir bebidas acoolicas com frequência, pois além da vibração perispiritual das entidades ser muito sutil, precisam manter uma qualidade pura de ectoplasma, para os trabalhos de passes magnéticos, e os de "efeitos físicos", entre eles os de energia de cura.
Todas as pessoas que trabalham com a cura, em qualquer seguimento, têm sempre por perto como mentor, um espírito da Linha do Oriente. Naturalmente que 90% delas não tem consciência dessa aproximação e orientação. Sua influência estende-se ainda a educadores, terapeutas, , sacerdotes, místicos, religiososos.

Os médiuns que não tem conhecimento de sua condição mediúnica e não a exercem de modo formal, também podem ser beneficiados pelos Mentores, através de intuições e sonhos.
São Seres de pura Luz, "literalmente falando" que nos transmitem sensações de profunda paz, quietude mental, amor universal, fé e confiança.
SALVE O ILUMINADO POVO DO ORIENTE, sempre nos auxiliando em nossa caminhada!

Claudia Baibich

sexta-feira, 27 de março de 2009

ENTIDADES CIGANAS, ELEMENTOS E CONSULTAS

Por Claudia Baibich


A utilização dos elementos de trabalho, dependem das normas da Casa.
E cada entidade e médium tem suas preferências por um ou outro elemento. Muitos trabalham apenas com o mínimo necessário, como vela branca, copo com água, incenso e 1 cristal. Mesmo porque a condição financeira do médium é determinante no uso dos materiais. Outras variantes são o tipo de trabalho da entidade e o conceito do médium à respeito do uso dos elementos. Existem médiuns que exageram e levam muito mais que a entidade solicita. E também ocorre o inverso, médiuns desatentos que esquecem de levar os elementos de trabalho das entidades.



ALGUNS ELEMENTOS USADOS PELAS ENTIDADES


Toalha ou lenços de cetim ou seda para forrar o chão (comum)
almofadas (raro)
Velas de diversas cores e formatos, exceto pretas e pretas e vermelhas (comum)
Fitas coloridas (comum)
Ponteira (comum)
Incensos de diversos aromas (comum)
Frutas (especialmente uvas e as maçãs) (comum)
Frutas secas e cristalizadas, especiarias ( cravo, canela, cominho, páprica, açafrão, coentro, louro) (raro)
Rosas de diversas cores, ou flores do campo (comum)
Ervas frescas, como arruda, alecrim e guiné (comum)
Ervas secas aromáticas (raro)
Ervas medicinais (raro, exceto os curadores do Oriente)
Mel (comum)
Água filtrada ou água mineral (comum)
Água preparada previamente, energizada com cristais, luz solar, lunar, cromoterapia ou radiestesia (muito raro)
Água do mar, água de cachoeiras, água da chuva, água de rio (cada uma tem uma vibração específica) (muito raro)
Sal grosso (comum)
açúcar mascavo ou cristal
Cristais ( quartzo branco, ametista, quartzo rosa, turmalina, olho de tigre, ágata, água marinha, esmeralda bruta de baixo valor,ônix, entre outros) (comum)
Vinho (se os dirigentes permitirem)
Chá de frutas (muito comum), especialmente os de flores e frutas diversas
Taças de vidro ou estanho
Moedas de uso corrente (muito comum) ainda que de baixo valor
Talismãs (raro)
Utensilhos de cobre ou latão
Punhal (embora muito típico do povo cigano, nem sempre é permitido)
Baralho cigano
Baralho comum
Tarô
Runas
Aromaterapia: perfumes, óleos essências (raro)
Elementos específicos, que a entidade solicita ao médium


Em alguns casos, como os de Linha de Cura do Oriente, usam ainda
Pêndulos (instrumento de radiestesia)
Aura meter (instrumento de radiestesia)
Cromoterapia: através de canetas de cromoterapia ou lâmpas coloridas


A questão da tábua, pemba e ponto riscado, é polêmica. Existem Casas, onde os Ciganos não firmam o ponto , do modo convencional (raro) e outras em , que as entidades firmam seu ponto (comum)

Outra questão delicada, é a de usar ou não saias coloridas, batas, lenços, echarpes, xales, etc. Na maioria das Casas, os médiuns permanecem com suas roupas de trabalho convencionais e apenas usam alguns adereços, como lenços e pulseiras, ou nem isso. Existem Terreiros que não aceitam por acreditarem que as entidades não precisam disso e que pode levar o médium ao animismo. Outros pensam ao contrário, que a paramentação cigana, facilita a concentração do médiuns e outros argumentam que a diferença de condições financeiras dos médiuns, vai causar um clima desagradável, destacando exageradamente uns e fazendo com que outros sintam-se inferiores.
Enfim, como quase tudo na Umbanda, gera discrepância, divide opniões e causa dissidências, cada Terreiro é um Universo em si mesmo, com sua autonomia sobre estatuto e preceitos.


As consultas dentro do Terreiro, obedecem padrões e preceitos da Casa, na grande maioria dos casos, não são cobradas.


As consultas realizadas por médiuns em suas casas ou espaços próprios, normalmente são cobradas. Como já comentei sobre as consultas com as Pombas Giras, em meu outro blog, no caso das consultas cobradas por médiuns de entidades ciganas, o pensamento é o mesmo: existem tanto médiuns, quanto entidades que são rigorosamente contra e outros que optaram por dedicação exclusiva, cobram. Os valores variam muito, desde simbólicos à astrônomicos.


As entidades ciganas realizam muitas consultas com aconselhamentos ou trabalhos, para amor, prosperidade e saúde, entre outros. Mas a maioria dos trabalhos mais "pesados", são encaminhados aos Guardiões Exús e Pombas Giras.


Não que os Ciganos não tenham poder e capacidade de quebrar magias negras, mas por uma questão de organização divisão de funções.


Ciganas não são Pombas Giras, o trabalho de Guardiãs é das Pombas Giras e não das Ciganas.
Pesquisa realizada junto à médiuns de entidades Ciganas por:
Claudia Baibich

quinta-feira, 26 de março de 2009

NOMES DE CIGANAS NA UMBANDA



POR CLAUDIA BAIBICH


NOMES SEM IDENTIFICAÇÃO DE FALANGES OU LOCAL DE DE ATUAÇÃO VIBRATÓRIA:
Cigana Carmem
Cigana Nadja
Cigana Carmencita
Cigana Alma
Cigana Liliana
Cigana Maiara
Cigana Esmeralda
Cigana Sete Saias
Cigana Penélope
Cigana Yasmin
Cigana Madalena
Cigana Luzia
Cigana Quitéria
Cigana Maria Dollores
Cigana Leonor
Cigana Leonora
Cigana Elmira
Cigana Malu
Cigana Nádia
Cigana Tereza
Cigana Cristal
Cigana Ágatha
Cigana Ana Rosa
Cigana Noêmia
Cigana Rosita
Cigana Achla
Cigana Lia
Cigana Sara
Cigana Isaura
Cigana Rosalina
Cigana Laís
Cigana Pietra
Cigana Maria Rosa
Cigana Natália
Cigana Quirina
Cigana Rúbia
Cigana Abigail
Cigana Lana
Cigana Amália
Cigana Brigite
Cigana Elvira
Cigana Iolanda
Cigana Aminah
Cigana Sarita
Cigana Mahila


Cigana Juanita


Cigana Rosa
Cigana Angelita
Cigana Maria Quitéria
Cigana Esther


Cigana Dália
Cigana Áurea
Cigana Ludmila
Cigana Pâmela
Cigana Luana
Cigana Estela
Cigana Henriqueta
Cigana Safira


Cigana Nayla


Cigana Mira


Cigana Maira
Cigana Irene
Cigana Sulamita
Cigana Núbia
Cigana Rebeca
Cigana Salete
Cigana Luna
Cigana Inês
Cigana Sabina


Cigana Nanzira Cigana Ingrid
Cigana Stefania
Cigana Soraya
Cigana Pilar
Cigana Ângela
Cigana Pérola
Cigana Paloma
Cigana Ramira
Cigana Salomé
Cigana Judith
Cigana Sofia
Cigana Melissa
Cigana Lôla
Cigana Zoraide
Cigana Perla
Cigana Dahra
Cigana Sasha
Cigana Maria Dollores
Cigana Maria dos Remédios
Cigana Ruth
Cigana Lara
Cigana Samanta
Cigana Miranda
Cigana Lumara
Cigana Rosita
Cigana Zélia
Cigana Helenita
Cigana Luara
Cigana Talitha
Cigana Grazyna
Cigana Alaíde
Cigana Lúcia
Cigana Yeda
Cigana Zelda
Cigana Ximena
Cigana Paola
Cigana Isolda
Cigana Zoraia
Cigana Dejanira
Cigana Marisol
Cigana Filomena
Cigana Blenda
Cigana Cassandra
Cigana Mírian
Cigana Rita
Cigana Eulália
Cigana Hortência
Cigana Katyusha
Cigana Léa
Cigana Consuelo
Cigana Yelena
Cigana Olenka
Cigana Adelaide
Cigana Veruska
Cigana Edith
Cigana Yara
Cigana Raísa
Cigana Zora
Cigana Catarina
Cigana Gilda
Cigana Zaira
Cigana Alba
Cigana Lourdes
Cigana Efigênia
Cigana Dalva
Cigana Alzira
Cigana Constanza
Cigana Zaíra
Cigana Pepita
Cigana Valquíria
Cigana Katja
Cigana Ramona
Cigana Isolda
Cigana Flora
Cigana Laurita
Cigana Zulmira
Cigana Linda
Cigana Guadalupe
Cigana Manoella
Cigana Dollores
Cigana Maria Helena
Cigana Danúsia
Cigana Siomara
Cigana Ynês - Inês
Cigana DorotéiA
Cigana Evita
Cigana Layla
Cigana Marina
Cigana Camélia
Cigana Laís
Cigana Encarnacion
Cigana Valquíria
Cigana Esperanza
Cigana Iris
Cigana Rosa Maria
Cigana Raquel
Cigana Sulenka
Cigana Natasha
Cigana Sâmylla
Cigana Isadora
Cigana Kátya
Cigana Samara
Cigana Yanka - Ianka

NA UMBANDA





SEM NOMES, APENAS IDENTIFICAÇÃO DO CAMPO DE ATUAÇÃO
Cigana da Estrada Cigana das Almas Cigana da Praia Cigana das Matas Cigana dos Caminhos Cigana das Encruzilhadas Cigana do Cruzeiro Cigana da Pedreira Cigana do Lago Cigana da Calunga CiganaLuz Cigana da Lua Cigana do Oriente Cigana das Rosas Cigana Encantada
Pesquisados junto à médiuns.

Estarei sempre atualizando a lista
PARA COPIAR CITE A AUTORIA E UM LINK PARA ESSE BLOG, COMO ABAIXO:
Autoria: Claudia Baibich Fonte: http://ciganaseciganosnaumbanda.blogspot.com/

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