sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Segredo das Cartas Ciganas

Segredos das Cartas Ciganas: Utilizando as Cartas Ciganas do Brasil

Sibyla Rudana, descendente de ciganos louvaras húngaros, é atualmente um dos nomes mais respeitados nos meios culturais ciganos. Neste trabalho, em que associa a leitura e o conteúdo das Cartas Ciganas a imagens e situações tipicamente brasileiras, demonstra mais uma vez seu domínio sobre o universo deste povo que, mantém sua unidade e respeito à suas mais profundas tradições. Uma leitura é feita com base em muita sensibilidade e intuição, mas também em muita técnica. Este livro é importante para quem quer conhecer as Cartas Ciganas, mas também é um instrumento fundamental para quem quer aperfeiçoar seu jogo.
Editora: Cristális
Autor: SIBYLA RUDANA

quarta-feira, 12 de maio de 2010

INDICAÇÃO DE BIBLIOGRAFIA CIGANA

NÚCLEO DE ESTUDOS CIGANOS
BIBLIOGRAFIA CIGANA

A bibliografia citada a seguir está disponível para pesquisadores ciganos e não-ciganos no
Núcleo de Estudos Ciganos (NEC)
a/c - Frans Moonen
Rua Manoel Joaquim de Almeida 104
Iputinga
50670-370 Recife - PE
fjmmoonen@yahoo.com.br


1. Bibliografia brasileira:

Adolfo, Sérgio Paulo.
1999. Rom: uma odisséia cigana, Londrina: Editora UEL
Aristicth, J.
1995. Ciganos: a verdade sobre nossas tradições, Rio de Janeiro: Irradiação Cultural
Bueno, V. R. dos Santos
1990a. Espacialidade e territorialidade dos grupos ciganos na cidade de São Paulo, São Paulo: USP, Monografia de Especialização em Geografia (ms)
1990b. “La problemática spaziale dei calons nomadi”, Lacio Drom, ano 26, n. 6, pp. 11-19
1992. “Le politiche regionali e locali verso gli zingari in Brasile”, Lacio Drom, suplemento ao n. 1/2, pp.128-132
1997. “A globalização e o espaço do cidadão”, Travessia, ano X, n. 27, pp.15-21
Caldeira, Hugo.
1996. A bíblia e os ciganos, Belo Horizonte: O Escriba Editora
Campos, Claudia Camargo.
1999. Ciganos e suas tradições, São Paulo: Madras
Cândida, Ninon Roze Sobreira.
1995. Trajetória cigana: um povo fiel a si mesmo, Belo Horizonte: PUC, Monografia de Graduação em História (ms)
Cavalcanti, S. M. Ribeiro Simon
1994. Caminheiros do Destino, São Paulo: PUC/SP, Dissertação de Mestrado em História (ms)
China, J.d’Oliveira
1936. “Os ciganos do Brasil”, Revista do Museu Paulista, Tomo XXI, pp. 323-669
Dornas Filho, J.
1948 - “Os ciganos em Minas Gerais”, Revista do Inst. Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Vol. III, pp. 138-187
Gasparet, Murialdo.
1999. O rosto de Deus na cultura milenar dos ciganos, São Paulo: Paulus
Hoffmann, C. C.
1992. A alma roubada: estudo de um grupo cigano em Jaraguá do Sul, Blumenau: Instituto de Pesquisas Sociais
Liechocki, Sally E. Esmeralda.
1999. Ciganos: a realidade, Niterói: Heresis
Lima, Solange T. de.
1996. Paisagens & Ciganos, Rio Claro: UNESP, Tese de Doutorado em Geografia (ms)
Locatelli, M.
1981 - O ocaso de uma cultura: uma análise antropológica dos ciganos, Santa Rosa: Barcellos Editora
Macedo, O.
1992 - Ciganos: natureza e cultura, Rio de Janeiro: Imago
Maia, L. Mariz.
1993. Ciganos na Comunidade Europeía: documentos, João Pessoa: PR/PB
1996 - The Rights of the Gypsies under English and Brazilian Law, London: School of Oriental and African Studies, LMM Essay (ms)

Mello Moraes Filho, A.
1981 [1886/1885] - Os ciganos no Brasil & Cancioneiro dos ciganos, Belo Horizonte: Itatiaia
Moonen, F.
1993. Ciganos Calon no sertão da Paraíba, Brasil, João Pessoa: PR/PB (2a. edição, Cadernos de Ciências Sociais 32, João Pessoa: MCS/UFPB, 1994)
1995. As minorias ciganas e o Direito: projeto de estudo interdisciplinar, Cadernos de Ciências Sociais 36, João Pessoa: MCS/UFPB
1996. “A História esquecida dos Ciganos no Brasil”, Saeculum: Revista de História, João Pessoa, UFPB, no. 2, pp. 123-138.
1997. Ciganos, na Europa e no Brasil, Recife (edição do autor; 1ª ed. 1996)
1999. Rom, Sinti e Calon: os assim chamados Ciganos, Recife, Núcleo de Estudos Ciganos
2000a. Rom, Sinti e Calon: os assim chamados ciganos, Recife: NEC, E-Texto nº 1 [www.dhnet.org.br]
2000b. As Minorias Ciganas: direitos e reivindicações, Recife: NEC, E-Texto nº 3 [www.dhnet.org.br]
2000c. Ciganos Calon na Paraíba, Brasil (1993), Recife: NEC, E-Texto nº 4 [www.dhnet.org.br]
2001. “Historia de los gitanos de Brasil”, I Tchatchipen, nº 34, pp.4-18
2002a. “Assassinatos reais de mitos errantes (I): o Poraimos (Holocausto) cigano”, Insight/ Inteligência, nº 16, pp.126-135
2002b. “Assassinatos reais de mitos errantes (II): consagração da imagem, profanação das gentes”, Insight/Inteligência, nº 17, pp. 77-85
2002c. “Assassinatos reais de mitos errantes (III): dos reis ciganos aos presidentes da Nação Romani”, Insight/Inteligência, nº 18, pp.121-130
Mota, Á. Vilas Boas da.
1982. “Contribuição à história da ciganologia no Brasil”, Revista do Inst. Histórico e Geográfico de Goiás, ano X, pp.3-42
1984 - “Os ciganos do Brasil”, Correio da Unesco, 12, p.32-34.
1986 - “Os ciganos: uma minoria discriminada”, Revista Brasileira de Política Internacional, ano XXIX, vol. 115/116, pp.21-46.
Palheta, I. e Bueno, V.
1990. “Notizie sugli Zingari in Brasile”, Lacio Drom, ano 26, no. 6, pp. 6-10
Pereira, Cristina da Costa.
1985. Povo cigano, Rio de Janeiro (edição da autora)
1989. Os ciganos continuam na estrada, Rio de Janeiro: Ribro-Arte
1990. “Gli zingari in Brasile”, Lacio Drom, Ano 26, n. 6, pp.3-5
1991. Lendas e histórias ciganas, Rio de Janeiro: Imago
1992. “La situazione sociale degli zingari in Brasile”, Lacio Drom, Suplemento ao no.1-2, pp.121-27
Rezende, D. F. de Almeida.
1995. Atitudes, comportamentos e etnicidade: um estudo sobre uma minoria cigana de Belo Horizonte a partir de um modelo de conflito/competição, Belo Horizonte (ms)
1995. Os ciganos na cidade: um estudo sobre o contato interétnico, Belo Horizonte (ms)
2000. Transnacionalismo e etnicidade: a construção simbólica do Romanesthàn (Nação Cigana), Belo Horizonte, UFMG, Dissertação de Mestrado em Sociologia (ms)
Rodrigues, M. L. Nunes.
1987. Considerações gerais acerca dos elementos principais na manutenção da identidade étnica do povo cigano, Belo Horizonte (ms)
Rosso, R.
1985. “Ciganos: uma cultura milenar”, Revista Vozes, vol. 79/3, pp.169-202
1992. Ciganos: um povo de Deus, s.l., s.ed.
Sant'Ana, M. L.
1983 - Os ciganos: aspectos da organização social de um grupo cigano em Campinas, São Paulo: USP
Schepis, Rosaly Mariza.
1999. Ciganos: os filhos mágicos da Natureza, São Paulo: Madras

Silva, Rosicleide Alves da.
1999. Os ciganos Calon em Sergipe, São Cristóvão/Aracajú: UFSE, Monografia de Bacharelado em Serviço Social (ms)
Stanescon-Rorarni, Mirian
s.d. Lilá Romaí: cartas ciganas. O verdadeiro oráculo cigano, ed. da autora
Teixeira, Rodrigo Corrêa.
1993. A ‘questão cigana’: uma introdução, Belo Horizonte: UFMG, Monografia de Graduação em Geografia (ms)
1998. Correrias de ciganos pelo território mineiro (1808-1903), Belo Horizonte: UFMG, Dissertação de Mestrado em História (ms).
1999. História dos ciganos no Brasil, Recife, Núcleo de Estudos Ciganos
2000. História dos ciganos no Brasil, Recife, NEC, E-texto 2 [www.dhnet.org.br]

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Radiestesia prática ilustrada

Sinopse: Talvez tão antiga quanto a civilização humana, a radiestesia chegou até nossos dias como a melhor técnica passível de nos demonstrar porções do oculto, e aí coisa maravilhosa - sob vontade. No entanto a radiestesia encontrava-se enferma, mergulhada que estava no grosso caldo do esoterismo bissexto. O autor baseado no conhecimento do aparelho psíquico humano, apresenta pela primeira vez uma teoria moderna capaz de resolver o impasse a do diálogo entre o consciente e o inconsciente. Este livro também demonstra por meio de seqüências fotográficas a forma correta de operar, detalhando todos os exercícios pertinentes í disciplina, ensina a usar os instrumentos radiestésicos passo-a-passo, permitindo explorar a interface natural no ser humano, que capta manifestações sutis do mundo externo e por meio da técnica radiestésica acessa esses conteúdos.


PARA BAIXAR O ARQUIVO:

Radiestesia pratica ilustrada.pdf.rar

sexta-feira, 30 de abril de 2010

TRABALHOS DE CURA I - CONSTITUÍÇÃO DO SER HUMANO

O belíssimo trabalho realizado pelos guias que trabalham na Linha do Oriente são especialmente voltados para a cura: física, emocional e espiritual.
O médium dessa linha de trabalho, ou melhor, que trabalhe com frequência a mediunidade de cura, deve aprender um pouco mais sobre a constituição energética do ser e sobre as diversas técnicas alternativas e naturistas.
O conhecimento do médium favorece a atuação do mentor, nos trabalhos de cura, quer sejam realizados nos Terreiros de Umbanda ou nos Centros Espíritas.
A atuação médium-entidade deve ser uma parceria o mais afinada possível.



CONSTITUIÇÃO FÍSICA DO SER:
O nosso organismo é formado por células, órgãos e sistemas que desempenham funções específicas mas complementares.

Somos constituídos dos seguintes sistemas:

sistema nervoso
sistema endócrino
sistema respiratório
sistema cárdio-vascular
sistema digestivo
sistema genito-urinário
sistema ósteo-muscular
SISTEMA NERVOSO - é o mais complexo no que se refere às funções e às atividades. Coordena todas as atividades orgânicas, conduzindo sensações e idéias para o espírito e do espírito, serve como elemento adaptador do organismo às condições do momento.

SISTEMA ENDÓCRINO - é formado por glândulas que secretam hormônios: hipotálamo, hipófise, tireóide, paratireóide, supra-renais, pâncreas, epifise, ovários (mulher) e testículos (homem).

Hipófise e hipotálamo- estão divididas no interior do crânio e elaboram diversos hormônios que participam do:

desenvolvimento do indivíduo.
controle da secreção dos hormônios produzidos pelas supra-renais, tireóide, ovários, testículos, etc.
Pineal - situada no interior do crânio. A sua função não está devidamente esclarecida

Tireóide - localizada no pescoço. Interfere no psiquismo, freqüência cardíaca, peso ponderal, tensão arterial, etc.

Paratireóide - são em número de quatro e estão ao nível do pescoço. Regulam o metabolismo do cálcio.

Supra-renais - localizadas no abdome, estão alojadas na parte superior do rim e exercem múltiplas funções: controle da pressão arterial, influencia o psiquismo, regula o peso ponderal, etc.

Pâncreas endócrino - localizado no abdome, produz a insulina que participa do metabolismo da glicose.

Ovários - situados bilateralmente no abdome, elaboram os hormônios que asseguram os caracteres sexuais femininos.

Testículos - são em número de dois; produzem o hormônio responsável pelos caracteres sexuais masculinos.

SISTEMA RESPIRATÓRIO - É formado pelos seguintes componentes: fossas nasais, laringe, traquéia, brônquios e pulmões. Função:

absorção do oxigênio proveniente da atmosfera;
transformar o sangue venoso enviado pelo coração em sangue arterial.
SISTEMA CARDIO-VASCULAR - constituído pelo coração e vasos sangüíneos. O coração é formado por quatro cavidades: aurícula direita, ventrículo direito, aurícula esquerda e ventrículo esquerdo. A fisiologia cardíaca é composta pela sístole e diástole. Durante a sístole ( fase de contração), o sangue arterial é enviado para todo o organismo garantindo a vitalidade dos órgãos e o sangue venoso é impulsionado para os pulmões. Na fase de diástole (fase de relaxamento), ocorre o enchimento das cavidades cardíacas. Sintetizando: sístole- esvaziamento, diástole- enchimento.

SISTEMA DIGESTIVO - é formado pelos órgãos: boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, pâncreas, fígado e vesícula biliar. Boca- A digestão inicia-se nesta cavidade, quando os alimentos são submetidos à ação das enzimas. Esôfago- possui a função de transportar alimentos para o estômago Estômago- realiza a digestão, armazenamento e produção do suco gástrico. Intestino Delgado- participa da digestão dos alimentos e contribui decisivamente para a absorção das substâncias nutritivas ou seja, encaminhando-as para o sangue. Intestino Grosso- tem a função principal de armazenar o bolo fecal e excretá-lo. Fígado- é uma glândula que exerce múltiplas atividades:

transformação das substâncias
armazenamento da glicose
metabolismo do colesterol
produção de bile
produção de substâncias que participam da coagulação sangüínea.
Vesícula biliar - órgão localizado no abdome. Armazena a bile temporariamente, a qual será encaminhada para o intestino delgado.

Pâncreas exócrino - produz suco pancreático rico em água e enzimas que participam da digestão dos alimentos.

Sistema Gênito-urinário - tem os seguintes componentes:

Urinário - formado pelos rins, bexiga e uretra. Elabora a urina, que é um veículo de excreção das substâncias tóxicas ou em excesso, existentes no sangue.

Genital - No sexo feminino encontramos: ovários, trompas, útero e vagina. No masculino, detectamos os testículos, os epidídimos, vesículas seminais, canais deferentes e próstata. Em ambos os sexos, desempenham a função de reprodução.

Sistema ósteo-muscular - No seu conjunto, originam o arcabouço rijo que sustenta o corpo, protege-o e dá-lhe forma. Divisão anatômica do abdome. É dividido em regiões, visando localizar a situação topográfica dos órgãos:

GUIA ANATÔMICO DOS DIVERSOS SISTEMAS DO CORPO FÍSICO: 


SISTEMA CIRCULATÓRIO


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SISTEMA LINFÁTICO


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SISTEMA ESQUELÉTICO










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SISTEMA MUSCULAR






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SISTEMA GÊNITO-URINÁRIO FEMININO



SISTEMA GENITO-URINÁRIO MASCULINO



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SISTEMA DIGESTIVO




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SISTEMA RESPIRATÓRIO
CRÉDITO  DA IMAGEM: A.D.A.M. Enciclopédia multimídia
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SISTEMA ENDÓCRINO

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Chacras e Plexos
Os corpos orgânicos são compostos de células que nascem, alimentam-se, reproduzem-se e morrem. Por isso, dizem os biólogos que o corpo inteiro e renova totalmente de sete em sete anos, embora alguns tecidos se refaçam com maior rapidez.

.

O sistema nervoso constitui a parte mais grosseira do corpo astral ou perispírito. Os neurônios são células altamente especializadas; unidos vão formar as fibras nervosas e estas, os nervos.

O sistema nervoso é complexo e atravessa todo o corpo físico, formando uma série de "cordões". Em certos pontos, as células nervosas formam uma espécie de rede compacta, em emaranhados que parecem nós de uma linha embaraçada. Chama-se esses pontos de "plexos" nervosos. Existem alguns no corpo, mas alguns são considerados de maior importância, pela localização e pelo trabalho que realizam.

Esses plexos, localizados no corpo físico, se apresentam no corpo astral, contraparte que não se materializa, e possuem funções que realizam trabalho específico. Assim, correspondendo aos locais dos plexos físicos, o corpo astral possui "turbilhões", que servem de ligação e captação dos elementos fluídicos do plano astral. A estes pontos ou centros de força, chamamos "chakras".

Vários são os chakras existentes, variando sua denominação e número total, de acordo com os autores estudados. Os mais importantes, no entanto, são:

básico, genésico, gástrico, esplênico, cardíaco, laríngeo, frontal e coronário.

Chakra básico ou fundamental - está localizado no períneo (região entre o ânus e os órgãos genitais, no fim da coluna vertebral). Possui força vitalizadora conhecida como kundaline; essa força revigora o sexo e também pode ser transformada em vigor mental, alimentando outros centros.

Chakra genésico - localiza-se na região dos órgãos genitais; recebe influência direta do básico; regula as atividades ligadas ao sexo.

Chakra gástrico ou umbilical - responsável pela absorção de elementos extraídos da atmosfera que vitalizam o sistema digestivo; controla o funcionamento do sistema vago - simpático. É responsável pelas emoções. Nesta chakra é que se operam as ligações, por fio fluídico, de espíritos sofredores e obsessores, nas reuniões mediúnicas.

Chakra esplênico - situado na altura do baço. É responsável pela vitalidade do organismo pois absorve o prana (vitalidade do sol) e o distribui pelo corpo; é nesse chakra que os espíritos inferiores se ligam (obsessões) e sugam toda a energia vitalizadora do indivíduo (vampirismo).

Chakra cardíaco - localiza-se na altura do coração físico, sobre o plexo cardíaco; sua função principal é governar o sistema circulatório, presidindo à purificação do sangue nos pulmões e ao envio de oxigênio a todas as células. Comanda os sentimentos, mas nos indivíduos menos evoluídos, deixa-se influenciar pelas vibrações do chakra umbilical, que transfere para o cardíaco as emoções inferiores.

Chakra laríngeo - está localizado na garganta, mais ou menos na altura da tireóide; responsável pela emissão da voz e pelo controle de certas glândulas endócrinas. O desenvolvimento desse chakra apura não só a emissão da voz, que se torna agradável e musical, como ainda a pronúncia das palavras.

Chakra frontal - Está localizado entre as sobrancelhas; corresponde à hipófise. É responsável pela clareza do raciocínio e pela percepção intelectual; comanda os cinco sentidos.

Chakra coronário - está localizado no alto da cabeça, na direção da glândula pineal, a que corresponde. É o sintonizador das intuições provenientes do mundo espiritual. Localização dos principais Chakras:






As diversas técnicas terapêuticas ou os passes magnéticos podem ser aplicados através da imposição das mãos nos chakras correspondentes ao órgão físico necessitado ou em correspondência dos chakras com os males espirituais e ou emocionais.
Mais informações nas outras postagens da SÉRIE ESTUDOS.

CLAUDIA BAIBICH

sexta-feira, 12 de março de 2010

CIGANOS, DE ONDE VIERAM E PARA ONDE VÃO?

TEXTO DE CLAUDIA BAIBICH

Após séculos de especulações acerca da verdadeira origem dos ciganos, a tendência conclusiva desses estudos, aponta cada vez mais para a origem indiana.
Durante muito tempo, as pesquisas estavam focadas em duas possibilidades: a indiana e a egípcia. A falta de elementos culturais típicos da civilização egípcia, entre os ciganos, acabou por enfraquecer essa tese. Entretanto, alguns poucos estudiosos, ainda tentam encontrar similaridade entre os dois povos.
Aspectos preponderantes entre os ciganos, como a língua e o tipo físico os aproximam dos indianos e fortalecem, até o momento, a tese da origem indiana dos mesmos.
A ciganologia é um ramo da etnologia que tem como objetivo o estudo do povo cigano em todos os seus aspectos, e tem se dedicado a descobrir o máximo possível de informações confiáveis a respeito da origem mais precisa desses filhos do vento.
Todas as culturas que registraram suas origens e história pela tradição oral, dificultam a comprovação de fatos verificáveis. E no caso dos ciganos, essa característica é acentuada pela trajetória nômade transcontinental, e a assimilação de um pouco da cultura dos mais variados povos.
Quando um povo era invadido por outro de maior poder bélico, havia com a conquista e o convívio entre dois, uma espécie de simbiose cultural, que resultava na reinterpretação e reconceituação dos elementos de ambas as culturas.
Com o nomadismo dos ciganos o que ocorria era que, por serem "invasores" pacíficos, submetiam-se voluntariamente aos costumes do povo que os "hospedava" e mesmo mantendo forte convicções e tradições no seu clã, sofriam mais a influência desses povos, que influenciavam, por serem estrangeiros e minoria.
Registros sobre sua trajetória, surgem na Europa no início do século XIV, onde os mesmos diziam-se de origem egípcia, ficando conhecidos como gypsys, posteriormente foram chamados de zíngaros na Itália, heiden na Holanda, ciganos em Portugal, boémiens na França, grecianos na Espanha, pois este grupo dizia ter origem grega. Foram muitos os nomes com que foram chamados. Algumas denominações eram estabelecidas pela suposta origem, como gypsys (egípcios) e outras de modo pejorativo como a denominação dos holandeses: heiden (pagão)

O interessante do povo cigano é a sua pacificação e aceitação da vida nômade, não invadiram pela força nenhum território, não demonstram necessidade de terem uma pátria e de fixarem-se neste ou outro ponto do globo, não desenvolveram exércitos ou guerreiros.
Os ciganos que estabeleceram-se e criaram descendentes em diversos países, hoje estão mais articulados social e politicamente, inseriram-se nas culturas desses países, mas não perderam por completo suas tradições. Dentre os aspectos que se mantêm na cultura cigana encomtram-se a língua romani, que os unifica não importando o país de origem; a cartomancia; a musicalidade; a dança.
Demais costumes como as cerimônias religiosas de nascimento, casamento e funerais sofreram maiores interferências, mas ainda assim são mantidas em muitos clãs.

Os grupos ciganos que mais se destacam na atualidade são:
-Kalon - criaram um dialeto próprio, o kalon, para esconder a origem cigana.
-Rom - falam o romani e dividem-se em subgrupos: Matchuaia da Iuguslávia, Lovara e churara na Turquia,
-Sinti- falam a língua sintó, encomtram-se na Alemanhã, Itália e França, incluindo as famílias: Valshtike, Estrekárja e Aachkane, na França.

As perseguições sofridas na Europa desde o século XIV até a segunda guerra foram cruéis e incluíram escravidão, prisões, assassinatos, estupros, torturas . E movimentos extremistas de defesas de territórios que são uma crescente em todo o mundo, vêm novamente ameaçando as pessoas de origem cigana e africana. Essa perseguição faz eco principalmente na Europa, onde vivem mais de 60% dos 10 milhões de ciganos da atualidade.

Na Europa, os direitos ciganos estão sendo seriamente discutidos e vários países já têm legislações pró-ciganas. Portugal, por exemplo, já tem grandes avanços. Mas com a crise econômica internacional, imigrantes de diversas origens e ciganos, mesmo com nacionalidade ou situação regularizada, têm sido os primeiros a perderem seus empregos.

No Brasil, a mobilização pró cidadania cigana e seus direitos de inclusão social e política, tem acontecido desde a preparação dos ciganos para a 1ª Conferência Nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial quando participaram dos debates estaduais e municipais para as Conferências Estaduais de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A tendência, ao longo dos anos seria novamente a migração, reativando o estilo nômade.
Mas migrar para onde, se os países do primeiro mundo estão fechando suas fronteiras?
Que perspectiva aguardam ciganos e africanos assolados pela miséria, doenças e pela falta de oportunidades?
Qual foi a pátria que os pariu?
Qual será a pátria que os acolherá?

PARA COPIAR, ACRESCENTE AO FINAL DE SUA POSTAGEM A AUTORIA E O LINK PARA ESSE BLOG, COMO ABAIXO:

Autoria: Claudia Baibich
Fonte: http://ciganaseciganosnaumbanda.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de março de 2010

UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO FRANÇÊS


Por: Marco Aurélio Barbai*

FILHOL, Emmanuel. Un camp de concentration français – Les Tsiganes alsaciens-lorains à Crest, 1915-1919. Presses Universitaires de Grenoble, 2004.


O livro de Emmanuel Filhol, Un camp de concentration français – Les Tsiganes alsaciens-lorains à Crest, 1915-1919, objeto desta resenha, aborda uma amnésia da sociedade francesa: o aprisionamento, o sofrimento, a exclusão e o apagamento dos ciganos durante a Primeira Guerra mundial. Este livro está dividido em cinco etapas: Introdução, em que o autor fala da presença dos ciganos na região da Alsácia-Lorena, apresenta os arquivos do campo de concentração e trata da hospitalidade e repressão aos ciganos; Capítulo I, Un camp d’internement pour les Tsiganes, espaço traçado pelo autor para discutir o modo de organização, administração e gestão da prisão em Crest; Capítulo II, Aspects d’ l’interment, em que o quotidiano dos campos de concentração é posto em discussão; Capítulo III, Subir, résister, que apresenta os testemunhos dos internos, por meio de cartas, e a (re)ação da sociedade em relação à existência dos ciganos; e, encerra as abordagens do texto na parte intitulada Conclusão.
É pelo difícil e criterioso levantamento de documentos em arquivos (Arquivos Nacionais, Municipais e Diocesanos), escassos ou quase nulos, consagrados aos campos de concentração da Primeira Guerra mundial, que o autor dá vida a histórias esquecidas pela memória administrativa e social.
Enquanto no front os homens se massacravam, por conta da guerra entre França e Alemanha, encarceravam-se os estrangeiros, os suspeitos e os indesejáveis. Assim, trabalhando com o Arquivo da região da Drôme, no sul da França, e com o material constituído pelo depósito de vigilância da cidade de Crest, um convento capuchinho transformado em prisão, criado especificamente para atender aos 150 ciganos Alsacianos-Lorenos de julho de 1915 a 1919, o autor dá existência legítima àqueles que foram tratados como um acidente humano, considerados diferentes, irregulares.
Inicialmente, na Introdução, Filhol fala da presença dos ciganos no sul da França, destacando que esse povo, que circulava pelo vale da Drôme e regiões vizinhas desde a Idade Média, instala-se ali a partir da metade do século XV. Em nota de rodapé, a de número 3 no texto, pode-se apreender que os diferentes nomes na língua francesa para designar o cigano (Bohémiens, Gitans, Tsiganes, Manouches) são provenientes dos itinerários migratórios realizados por estes. Assim, eles são chamados de Boêmios, porque seus ancestrais vieram da Boêmia no século V; Gitanos, porque eram originários do ‘Pequeno Egito’; depois foram designados Atsingani (que gerou a expressão Tsiganes – Ciganos) nome dado pelos gregos a uma seita que praticava as artes de prever o futuro e a música e, por fim, Manouches, que, originário da expressão Manus, significa homem.
Desde sua instalação, segundo o autor, o povo cigano, até então desconhecido, suscitou nas populações urbanas uma mistura de admiração e medo. O seu modo de vida nômade sempre foi visto com descrédito pela população sedentária das cidades. Nem o século XIX, o século das luzes, foi-lhes favorável. Uma lei redigida em 1980 e votada em 1912 vai instaurar uma carteira de identidade (uma ficha antropométrica) de modo a controlar a chegada e partida dos ambulantes, forasteiros e comunidades nômades.
Dois anos após o estabelecimento dessa lei, a guerra entre a França e a Alemanha explode. Os ciganos interceptados na reconquistada região da Alsácia e da Lorena serão, como acrescenta o autor, instantaneamente retirados do território e encarcerados a partir de março de 1915 para centros de triagem e depois para a internação em campos, principalmente os localizados no sul da França. Desse modo, colocou-se um peso sobre os ciganos que circulavam pela zona do front e pelo interior do país. Muitos ciganos da Alsacia-Lorena foram encarcerados por conta de sua nacionalidade, vivendo sob um regime de detenção e disciplina, em condições humanas e materiais precárias, sofrendo punições e a perda de sua liberdade.
Na segunda parte do trabalho, “Un Camp d’Internement pour Les Tsiganes” (Um campo de aprisionamento para os ciganos), o autor destaca o modelo penitenciário imposto a esse povo e o modo como os ciganos de Crest foram assimilados a pessoas suspeitas, resultando num tratamento disciplinar reforçado. O exame da situação administrativa dos internos demonstrou que uma grande parte possuía a ficha de identidade, estabelecida pela lei de 1912. Essa lei foi destinada a vigiar e reprimir vagabundos e amplamente aplicada na França aos nômades, obrigando as famílias ciganas a adquirirem o estatuto de estrangeiras, procedimento que, segundo o autor, sugere uma intolerância e racismo contra os ciganos.
Filhol mostra que uma incompreensão imperava sobre o modo de vida dos ciganos. Amantes do campo, da natureza, e pouco habituados a viver em casas; por conseguinte, eram vistos como separados daquilo que funda a sociedade humana e civilizada, ou seja, a cidade. O contato com esse povo era considerado como um risco de contaminação e fragmentos da imprensa da época, material com o qual o autor trabalha, revela o modo como os ciganos eram qualificados. Assim, em 3 de agosto de 1908, no jornal Le Petit Parisien, podia-se ler sobre os ciganos “‘peuple néfaste’, suggère qu’on sévisse contre ces ‘parasites outrecuidants’, ces ‘rongeurs’ qui ‘infectent notre territoire’. Ce peuple néfaste laisse ‘après lui la vermine et les maladies, les meubles fractués, les fermes incendiés’[1]’” (página 38).
Na parte “Aspects de L’Internement” (Aspectos do Aprisionamento), a terceira do livro, o autor sublinha que a vida dos ciganos internos no convento dos capuchinhos em Crest é uma existência sob a vigilância. Isso se dá para além do caráter de prisão a que foram submetidos e do qual só se podia sair em momentos precisos ou por motivos determinados. A existência sob vigilância é contrária ao modo de vida cigana, pois obriga pessoas a habitar um lugar, a viver sob uma sedentarização forçada, totalmente estranha à prática dos itinerários que inspira e estabelece uma vida na mobilidade.
Filhol afirma que o encarceramento dos ciganos obedecia a uma lógica do controle que repousa sob a privação da liberdade. Esse internamento, além de estabelecer um ordenamento da vida, isto é, com os afazeres do quotidiano, alimentação, saídas, correspondência, higiene, penas disciplinares, produzia um conjunto de fatores: sofrimentos, doenças, conflitos entre pessoas e familiares presos, expondo a dificuldade de se viver junto, pois a prisão altera o modo de vida das famílias ciganas e suas relações com o quotidiano. Essas famílias, diz o autor, “habitués à circuler, à se déplacer, dont l’identité tsigane repose sur mobilité[2]’ são obrigadas a viver uma “cohabitation forcée[3]”, produzindo o conflito entre alguns indivíduos e famílias (página 88). Nascimentos, doenças, mortalidade (principalmente de crianças), relações conflituosas, educação religiosa e pequenos trabalhos compunham o dia-a-dia no aprisionamento.
Na quartaparte, “Subir, résister” (Suportar, resistir), Filhol apresenta análises primorosas com um material que compõe o corpus de trabalho. Pelas cartas que os ciganos enviavam para autoridades administrativas e políticas do Estado, solicitando a liberação do cárcere, e de fragmentos dos jornais locais, o autor finamente “traduz” o sofrimento de habitar na prisão e mostra como ser cigano produz uma identidade desfavorável ao ser humano e como a opinião pública, hostil aos ciganos, concebe estes ‘hóspedes indesejáveis’ que não devem mais circular fora do limites da prisão. Sobre esse viés, convém salientar o comentário do autor sobre as marcas que o confinamento inscreveu na identidade cigana: “Pour les Romanichels regroupés au camp de Crest, l’internement équivaut à une prison, qui brise les repères identitaires, économiques, sociaux, culturels, des familles[4]” (página 121).
Ao ler as cartas produzidas pelos ciganos, Filhol acrescenta que as práticas de escrita entre os ciganos estão fortemente ligadas à oralidade presente nesse grupo. Ele mostra uma preocupação das formas do texto adaptadas ao código e ao estilo admitido pelo destinatário. Esse processo, segundo o autor, pode ser visto em muitas cartas. No entanto, há uma delas que merece destaque, escrita por Angelina Hofer – uma cigana alemã – que chegou ao convento de Crest em 23 de julho de 1915 com quatro filhos. Eles foram transferidos do depósito humano de Saint-Maximin, em Var.
Angelina se dirige à autoridade civil de Crest solicitando a transferência dela para um depósito alemão em que se encontra seu marido. Dessa carta, o autor reconstrói com algumas palavras o sofrimento e a dor de uma separação imposta por anos entre campos de concentração: ‘Eu sou uma Alemã separada do Marido sozinha aqui’ – “‘Allemande’, ‘séparé’, ‘Mari’, ‘seul’ ‘issi’” (sic), (páginas 134 e 135).
Organizando sua reflexão na quinta e última parte, a Conclusão, o autor aponta que os campos de concentração começariam a se esvaziar a partir de outubro de 1919, porém os cento e cinqüenta ciganos mantidos no depósito de Crest esperariam ainda nove meses para serem liberados. A partida desse povo foi vista pela população como alívio já que os ciganos representavam “un danger pour la vie publique [...] se comportaient en ‘parasites’ au sein de la société, bref étaient des personnes nuisibles, comparables à la vermine ou à des insects malfaisantes qui endommagent les récoltes[5]”, proferia a imprensa local (:172).
Há que se ressaltar uma afirmação do autor, ou seja, de que a reclusão dos ciganos Alsacianos-Lorenos no depósito de Crest evidencia uma etapa de um processo de aprisionamento que marca profundamente o século XIX. Todavia, esse fenômeno da reclusão de seres humanos vai ressurgir vinte anos mais tarde, de forma violenta e feroz, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Para Filhol, há uma amnésia da sociedade francesa quanto aos ciganos e uma dívida material e simbólica do Estado para com esse povo. Considerados como marginais e qualificados como anti-sociais, os nômades foram privados de direitos civis e políticos sinônimos de pertencimento a uma cidadania nacional.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

AS CIGANAS BRASILEIRAS


Segundo estudos do antropólogo Frans Moonen (2008), a primeira aparição oficial de ciganos/as[1] no Brasil foi em 1574, quando a família do cigano João (de) Torres foi deportada de Portugal para a colônia (esse caso, ao que parece, foi um caso isolado, numa situação única naquele momento). O expurgo dos grupos ciganos[2] em Portugal deveu-se ao fato de que a Península Ibérica era considerada a região mais devotada aos dogmas do Catolicismo. Embora os grupos ciganos se identifiquem como religiosos, (não possuem uma religião oficial, podendo pertencer às diversas religiões; dependendo do local onde permanecem) algumas de suas práticas ancestrais divergiam com as crenças da Igreja Católica, como as cerimônias próprias de casamentos, de batizados, as práticas divinatórias de suas mulheres (quiromancia, leitura de cartas, etc.), suas danças, suas festividades particulares, e eram comumente vistos como pagãos. Desta forma, sua permanência em solo português não era desejada, pois condizia com um comportamento não tolerado pelas sociedades católicas, afinal, eram considerados como imorais (Teixeira, 2008). As deportações iniciaram-se fortemente a partir de 1686, quando da necessidade de povoar as terras nordestinas (a preferência foi pelo Maranhão) e para manter essas comunidades ciganas afastadas das áreas de riqueza naquele momento e dos portos brasileiros (Moonen, 2008). No século seguinte, Salvador tornou-se a principal cidade para a comunidade cigana no país, agregando muitos deles. Teixeira (2008) explica que a deportação de ciganos/as para o Brasil teve continuidade até o final do século XVIII: "A deportação de ciganos portugueses continuou pelo menos até o final do Século XVIII. De 1780 a 1786, o secretário de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos, Martinho de Melo Castro, enviou grupos de 400 ciganos anualmente para o Brasil" (p.21). A cidade do Rio de Janeiro foi o local onde as comunidades ciganas tiveram alguma valorização, sendo que muitos deles acumularam riquezas e trabalharam em cargos oficiais durante o século XVIII e início do XIX. As suas danças e músicas eram presença constante nas festividades da família real (Moonen, 2008). Entretanto, apesar dessa relação entre eles, a sociedade continuava a estigmatizar os grupos ciganos como ladrões, vagabundos, entre outros, depreciando-os e, dessa forma, enaltecendo os princípios cristãos (religião do povo em construção na colônia e religião da metrópole). Apesar de esses grupos terem se adaptado e trabalhado com diversas atividades, entre elas o de comerciantes de escravos, ele se tornou um incômodo para as elites brasileiras do século XIX, que visavam construir uma identidade nacional baseada numa "limpeza étnica" disfarçada de "reformas urbanas", de modernização. Visavam, sobretudo, o patriotismo enaltecendo a "raça" nacional, a miscigenação entre o europeu, o africano e o indígena, mas sem mencionar a população cigana, segundo Teixeira (2008, p.48): "no Brasil eram tidos como raça maldita, inferior e, que para o mal da nação, não se misturava".Tínhamosa importante questão de que essas comunidades estavam perdendo suas riquezas devido à abolição da escravatura, à mão-de-obra assalariada, às imigrações incentivadas pelo Brasil, foi um fator importante na perda de qualificação positiva dessas comunidades para as elites cariocas (Teixeira, 2008).
Vamos agora direcionar nosso olhar para a realidade das ciganas no país. O que o autor analisa é que havia uma contradição entre o comportamento das mulheres ciganas e das "mulheres de elite" no século XIX. A "mulher de elite" ficava restrita ao seu lar, se inteirando dos assuntos apropriados para ela, já a mulher cigana tinha a liberdade de ir-e-vir, e por esse mesmo motivo, acabava por conhecer melhor a realidade da sociedade que a cercava. Contudo, existem diferenças entre a visão de ciganos e de ciganas para a sociedade nacional. Os ciganos eram descritos, geralmente, como sujos, preguiçosos, vadios, pobres, livres e ladrões. Sobre as ciganas, tem-se que elas praticavam a quiromancia, e mendigavam pelas ruas, quando necessário. Quanto aos estereótipos físicos, isto é, relativos à aparência, Teixeira (2008) pesquisou que algumas qualidades do modelo de beleza grego eram assimiladas para a comunidade cigana pelo olhar do Outro. Isto significa que os homens ciganos eram descritos como belos homens, de cabelos negros e olhos marcantes. Já as mulheres ciganas: "as mulheres jovens eram consideradas belas e atraentes, mas era uma beleza fadada a desaparecer rapidamente [...] algumas velhas são descritas como decrépitas" (Teixeira, 2008, p.65).
A respeito dos corpos, Simone de Beauvoir (2002) ressaltou que o corpo não é uma coisa e sim uma situação: "é a nossa tomada de posse do mundo e o esboço de nossos projetos" (p.54). Mas os e as ciganos/as são corpos ainda inexistentes em solo nacional, pois, na pesquisa de Moonen (2008), uma das grandes carências dessa população é o acesso negado à cidadania. Negado porque lhe é dificultado através de burocracia brasileira. Os registros civis, como bem observou o pesquisador, são uma raridade entre esses povos. Mas, não porque eles não os queiram, e sim por causa dos trâmites e barreiras que lhes são impostas para ter acesso aos documentos necessários, sendo ainda uma etnia que possui grande parte de seus direitos negados. Sobre a educação das ciganas, Moonen destaca que é uma questão delicada (até pela falta de documentos comprobatórios e exigidos para a matrícula, bem como o material didático, etc.), e das poucas crianças que freqüentaram a escola (dentro da localidade citada, um rancho de ciganos/as em Sousa – PE): "Pelo menos três meninas desistiram de frequentar as terceira e quarta séries, pelo fato de estas serem ministradas à noite. Entre a escola e os ranchos fica uma área deserta e, não sem motivo, as meninas tinham medo de serem molestadas por elementos não-ciganos da cidade de Sousa" (Moonen, p.154). Ou seja, o problema da falta de educação, ou educação precária, era mais grave para as meninas ciganas, já que havia o perigo da violência sexual.
Sem educação e preparo profissional, restam a essas mulheres os serviços de mendicância ou quiromancia pelas ruas das cidades. Entretanto, essas atividades têm um peso muito forte na maneira como são enxergadas pela sociedade de não-ciganos/as, como veremos nesse pequeno trecho da pesquisa de Moonen (2008):
Outras pessoas quando são abordadas pelas vigaristas, afastam o mal pela raiz e afirmam que as ciganas são um bando de vadias. "Essas vadias, trambiqueiras vivem no meio da rua perturbando os outros. Elas esperam uma oportunidade para roubar", afirma MA, de 50 anos. Ela acredita que todas as pessoas deveriam expulsar as ciganas da Lagoa" (João Pessoa, O Norte, 16.10.93). [...]
Depois disto tive contato com estes ciganos, Calon oriundos da Bahia, durante o mês seguinte e constatei: [...] (b) que nunca jornalista algum teve coragem de visitar pessoalmente o acampamento cigano; (c ) que apenas meia dúzia das mulheres adultas sabia ler a mão e "saía pra rua" (na realidade uma praia distante, mas muito visitada por turistas, ou então a 'Lagoa', no centro de João Pessoa) e que as outras que não dominavam esta arte, nunca saíam do acampamento(p.164- 165).
Se a vida dos ciganos foi bastante complicada no Brasil, devido ao preconceito, imaginemos então a vida das ciganas, portanto. As mulheres ciganas foram impossibilitadas de desenvolverem-se em sua plenitude por quase os mesmos motivos que todas as mulheres tiveram seu desenvolvimento dificultado no passado: pelo fato de pertencerem ao sexo feminino e ao gênero mulher.Ademais,como vimos, as ciganas ainda possuem outras características dadas a elas pela sociedade não-cigana como mulheres vagabundas, trapaceiras, falsas, entre outros. Entretanto, nada tão diferente do modo como a sociedade trata as demais mulheres que se afastam de algum estereótipo adotado (como a "Amélia" no passado). Mas se para as mulheres ocidentais já foi complicado romper com as normas vigentes a respeito do comportamento de homens e mulheres, a lutar pelo reconhecimento da mulher como sujeito da história, a lutar pelos direitos das mulheres, para as ciganas desassistidas essa luta é bastante delicada. Delicada porque envolve características culturais, étnicas e valores morais de acordo com cada sociedade, mas o(s) feminismo(s) deve(m) assegurar que cada cigana tenha o direito de ser respeitada, de ter capacitação profissional, de ter uma organização feminista para apoiá-las em suas necessidades, de exercer sua cidadania.
o(s) feminismo(s) e as ciganas brasileiras: o diálogo?
Os movimentos de mulheres e os movimentos feministas emergiram como uma força em potencial por toda a América Latina devastada pela ditadura.A existência de uma "dominação masculina" nos termos de Bourdieu[3] em ambientes domésticos e na arena pública levou as feministas a proclamarem a autonomia de seus movimentos e a criação de instituições verticais, como encontros e Congressos específicos, nos quais estavam presentes: operárias metalúrgicas, empregadas domésticas, mulheres politizadas, mulheres da periferia, ativistas políticas, etc. que produziam plataformas de lutas que incluíam direitos específicos (Moraes, 2003).
Devido ao poder de mobilização conferido a esses movimentos de mulheres e feministas, alguns organismos internacionais, com forte influência da hegemonia norte-americana, propõem "parcerias" no sentido de realizar uma integração desses movimentos com o sistema social, é o início das ONGs de cunho feminista na América Latina (patrocinadas pela norte-americana Ford Foundation e a holandesa NOVIB).
Na "Década da Mulher", estabelecida pela ONU em 1970 (e, dentro dessa o "Ano Internacional da Mulher", em 1975), as campanhas nacionais desses movimentos denunciaram as mortes de mulheres por crimes "de honra", o sexismo em livros escolares e o assédio sexual (Moraes, 2003:14). Assim, a agenda feminista foi incorporando demandas cada vez mais específicas. Barsted (1994) informou que ao longo da organização do Movimento, duas questões básicas foram aprofundadas, "dentro de um universo temático mais amplo", que influenciaram consideravelmente na proposição de políticas públicas: saúde/sexualidade e violência. Estas questões estavam inseridas num contexto maior que era o de uma "intensa mobilização para eliminar da legislação em vigor todas as formas de discriminação contra as mulheres", tal como recomendava a Convenção das Nações Unidas de 1979 – Convenções Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (p. 43).
Os movimentos feministas[4] se revelaram atores importantes que tomaram para si a tarefa de representar os direitos das mulheres e lutarem por esses direitos dentro da sociedade. O feminismo foi desenvolvido como uma espécie de protesto contra a exclusão das mulheres da vida política, do meio público, com o objetivo de eliminar a diferença sexual na política (Scott, 2005). Entretanto, como é um conceito que forneceu bases a uma teoria, está sujeito a interpretações e reinterpretações de acordo com o contexto histórico no qual ele se desenvolve. E, sendo assim, é o lugar, ou arena (Schimidt, 2004) onde são escutadas as vozes daquelas que reclamam seu espaço, onde discursos são proferidos, analisados e passíveis de ação. Desta forma, e de acordo com Scott (1998, p.116), percebemos que "a estrutura social constrói as relações homens/mulheres e a ideia da mulher". Portanto, a estrutura social também constrói a relação mulheres/homens e a ideia de uma mulher cigana. Assim sendo, a desconstrução do pensamento coletivo acerca das características das ciganas deve ser realizada com a finalidade de uma construção igualitária das ciganas como sujeitos da história brasileira. Essa desconstrução e construção devem ser baseadas na informação da sociedade e assim, na quebra do preconceito, pois como disse Elvia P. Arriola (1994):
A igualdade está inextricavelmente ligada ao fenômeno social que chamamos de discriminação. No nível mais simples, ocorre discriminação sempre que as interações entre pessoas se baseiam em suas diferenças pessoais. O estabelecimento de diferenças entre pessoas é muitas vezes encarado como nossa reação natural à vasta diversidade de experiência humana (p.391).
Sabemos que uma cultura diferente da qual se foi criado é um elemento enigmático e que causa estranheza, porém no caso das ciganas a questão é um pouco mais delicada. Dentro da cultura a qual chamamos de cigana, existem diversas culturas, ou seja, não existe unicidade na cultura cigana, pois esta tende a adaptar-se aos locais por onde passa, e assim, estar em constante mutação e inovação de suas culturas. Pela simples ignorância da versatilidade de outras culturas (principalmente de culturas que não estão dentro de alguma nação), os ciganos e as ciganas são vítimas de uma visão equivocada presente no Brasil desde sua colonização. Entretanto, para que se possa reverter esse quadro discriminatório acerca das ciganas (e dos ciganos também) é necessário evidenciar essa questão praticando a discriminação, tal qual nos fala Joan Scott (1998), de que ao evidenciar os riscos que um determinado grupo social passa, nós (pesquisadoras e pesquisadores) corremos o risco de essencializá-los. Mas tal risco deve ser corrido, isto é, esse paradoxo deve ser enfrentado com a finalidade de resgatar a dignidade dessas pessoas e dar o devido lugar a elas na história, assim como torná-las cidadãs efetivas, com seus direitos e deveres, sem preconceitos e discriminações.
Assim sendo,o(s) feminismo(s) é o labirinto no qual os fios do preconceito, da discriminação, da desigualdade vão se perdendo, a arena de discussão ideal para esse resgate histórico e pelos direitos das mulheres ciganas do Brasil, como disse Vera Soares:
Diferentes motivos levam a apontar o feminismo como um projeto que teve êxito em tornar visível uma problemática que antes não estava presente nos movimentos populares, nem nos movimentos sociais tradicionais, nem tampouco no nível político, seja de esquerda, de direita ou centro. Ao mesmo tempo em que apontou para a exclusão das mulheres na sociedade, criou novos paradigmas para análise desta situação e inscreveu-se como tema das pesquisas acadêmicas – as idéias do feminismo se instalaram em diversos espaços do social e do teórico (p.22, 1994).
Desta forma, o(s) feminismo(s) pode elucidar as diferentes representações da mulher nas diferentes sociedades, e explicar e separar a relação entre o aspecto biológico[5] dos corpos, a personalidade e o comportamento que determinam a posição social das mulheres. Assim, percebemos a reprodução de certos estereótipos femininos em sociedades diferentes (Nicholson, 2000).
Ou seja, o(s) feminismo(s) pode(m) tornar visível a situação das ciganas brasileiras, expondo seus problemas diante da sociedade e exigindo a igualdade no tratamento dispensado a elas, porém, é necessário que façamos uma pergunta: Por que o(s) feminismo(s) não olhou para as mulheres ciganas? Quiçá elas já tivessem seus direitos assegurados? Ou, como temos um parco conhecimento sobre suas culturas, nós deduzimos que não era preciso olhar para elas? Infelizmente, o material para pesquisas é escasso, ainda mais sobre mulheres ciganas brasileiras, mas o(s) feminismo(s) pode reverter esse quadro, investindo em pesquisas sobre esse universo ainda inexplorado pelo(s) movimento(s).Contudo, é vital que se desconstrua o pensamento coletivo acerca das ciganas brasileiras, e coloquem-nas como sujeitos histórico-sociais, tal qual Butler (1998, p. 34) afirmou: "Desconstruir [6]não é negar ou descartar, mas pôr em questão e, o que talvez seja mais importante, abrir um termo, como sujeito, a uma reutilização e uma redistribuição que anteriormente não estavam autorizadas".
O(S) FEMINISMO(S) E AS mulheres CIGANAS: paira UM OLHAR FEMINISTA SOBRE elas?
De acordo com a Associação de Preservação da Cultura Cigana (APRECI), cerca de um milhão de ciganos/as vivem em território brasileiro (Juste, 2005). Destes, cerca de 250 mil vivem em acampamentos, segundo dados da Pastoral da Criança (Gandra, 2008). Entretanto, apesar desses números serem estatísticas é fato que essas comunidades têm grandes carências na área da educação, saúde, trabalho, por exemplo. Mas e as mulheres ciganas? Além dessas carências de toda a população cigana, elas ainda enfrentam outras mais: os mais de 30 anos de Feminismo(s) no Brasil não foram suficientes para incorporar a demanda dessas mulheres por proteção e respeito. Nesse artigo não pretendo analisar as comunidades ciganas em sua formação patriarcal, em sua história, mas sim o olhar que a sociedade repousa nas mulheres ciganas e quão invisíveis elas estão pelos movimentos feministas. As mulheres ciganas foram estigmatizadas no Brasil como "miseráveis e desonestas quiromantes", mas com o passar do tempo outros rótulos lhes foram impostos, tais como "uma mulher forte, sensual e, ainda que vingativa e passional, fascinante" (Teixeira, 2008, p.08).
Quero refletir rapidamente sobre as imagens de ciganas que vemos quando acessamos o buscador Google da internet. São imagens de mulheres jovens, lindas, esculturais, com vestimentas provocantes, cabelos esvoaçantes, peitos fartos, cinturas bem marcadas, poses sensuais e poses lânguidas. Na maior parte de blogs destinados a "discutir" essas comunidades ciganas e seus hábitos culturais, vemos esse tipo de imagem. Em cerca de três meses de busca pelo Google encontrei poucos blogues no qual também mostravam pinturas de ciganas mais velhas, mais corpulentas, em suma, mais reais. E uma artista[7] conhecida entre os/as admiradores/as dessa cultura que também retrata ciganas de formas variadas, isto é, magras, corpulentas, novas, envelhecidas, crianças, porém há apenas algumas telas com essas características mais reais, embora não encontrei telas de ciganos mais velhos, mais corpulentos ou garotos. Porém ainda assim, a maioria de suas telas retrata belas e jovens ciganas. Ou seja, essas imagens sensuais reforçam o estereótipo da mulher cigana como uma mulher extremamente sexual, provocativa, o que em nada reflete a verdade sobre elas.Existem sites e blogues (como o já citado) que se dedicam a quebrar esse estereótipo[8], mas são poucos e pouco divulgados. Há um contrasenso na sociedade: se por hora as mulheres ciganas são tidas nas imagens e representações como jovens sensuais, por outra, as mulheres (reais) nas ruas são vistas como "charlatã[s], maltrapilha[s] e trambiqueira[s]" (Veloso, 2008). Segundo a pesquisa de Letícia Veloso, o preconceito em torno da mulher cigana a impede de se identificar como tal em situações como o mercado de trabalho, na entrevista de emprego. Há um relato interessante em seu texto feito por uma cigana (Maria José Cotê), que reproduzo aqui: "Uma vez, me disseram que não poderia ser cigana, pois, era limpa e educada. O que essas pessoas não imaginam é que as ciganas andarilhas (que vivem em acampamentos) têm uma vida sofrida e de luta" (Veloso, 2008). O antropólogo Frans Moonen (2008) realizou uma breve pesquisa sobre as comunidades ciganas de Souza (Paraíba) em 1993, e de suas análises podemos retirar para nosso estudo uma passagem muito incômoda. Moonen não comprova a informação, entretanto, ele pede em seu texto que "pessoas competentes da área médica" investiguem essa informação, que é um indicativo de que poderia sim ter ocorrido, como já houve casos parecidos no Nordeste no qual se trocavam as esterilizações (gratuitas) de mulheres por votos políticos. Assim:
Perguntado sobre a diminuição do número de filhos, vários ciganos responderam que era por causa da pobreza e da miséria em que vivem hoje [...] Mas houve também quem acusasse médicos de uma maternidade local de esterilizar mulheres ciganas. Pelo menos umas dez mulheres já fizeram cesarianas, e parte dessas mulheres teve as trompas ligadas. Em pelo menos três casos, a laqueadura foi feita sem conhecimento e sem consentimento do casal, apresentando os médicos depois uma mistura de justificativas médicas e sociais (do tipo: "a senhora poderia morrer se tivesse outro filho" e "a senhora não tem condições de criar mais outros filhos"). Outra cigana esterilizada, no entanto, elogiou a atitude dos médicos e confirmou que, pelo menos, no seu caso particular, a laqueadura realmente tinha sido necessária por motivos médicos e que tinha concordado antes (p. 140).
Moonen ainda informou que pouco se sabe sobre as atividades, de fato, das ciganas do município pesquisado por ele, mas acredito que pouco se sabe sobre as ciganas brasileiras. Como vivem? Quais as dificuldades? O que esperam da vida? E mais, podemos perceber alguma influência dos feminismos dentro desses grupos? Por enquanto o material bibliográfico é escasso no país, e pesquisas de campo necessitam serem realizadas para nos fornecer as respostas. Afinal, somente dessa forma poderemos apreender as mulheres ciganas, como bem ressaltou Beauvoir (2002):
Assim como não basta dizer que a mulher é uma fêmea, não se pode defini-la pela consciência que tem de sua feminilidade; toma consciência desta no seio da sociedade de que é membro [...] uma vida é uma relação com o mundo; é escolhendo-se através do mundo que o indivíduo se define; é para o mundo que nos devemos voltar a fim de responder às questões que nos preocupam (p. 69).
Seguindo essa mesma linha, Linda Nicholson (2000) afirmou que o corpo acaba por se tornar uma variável que não mais fundamenta as noções distintivas entre masculino/feminino, mas sim é o elemento "potencialmente importante" na maneira como essa distinção "permanece atuante em qualquer sociedade" (p.15). Assim, existe uma tendência nas sociedades patriarcais a se pensar na identidade sexual como um dado natural, imutável, Mas, segundo a autora, para que se possa desconstruir essa noção, faz-se necessário enfraquecer essa tendência através da contextualização histórica. Portanto, ao entendermos como se deu o processo de "enraizamento histórico" da identidade sexual na forma de algum "produto de um sistema de crenças específico de sociedades modernas ocidentais", é possível compreender a "diversidade profunda" na qual essa distinção masculino/feminino pode tomar corpo (Nicholson, 2000, p.15).
Há uma necessidade pungente de uma práxis feminista quanto às necessidades das mulheres ciganas por sua integralidade na sociedade. Há uma necessidade latente de se historicizar as mulheres ciganas no Brasil e suas relações dentro e fora de suas sociedades, seu pertencimento à sociedade brasileira, cidadã brasileira como as mulheres de outras etnias. O(s) feminismo(s) deve buscar entender o que significa ser uma mulher cigana no Brasil, para assim interpretá-la, analisá-la, e poder contribuir para desenvolver políticas públicas para essa parcela da sociedade, levando em conta a sua especificidade. Esse olhar feminista deve ser lançado sobre essas mulheres e suas histórias, para que se reconstruam suas identidades, para que os/as brasileiros/as compreendam a importância histórica desses sujeitos "filhos e filhas do vento" e os/as incorpore como compatriotas, com respeito mútuo em busca de uma sociedade mais igualitária. "
Referências Bibliográficas
ARRIOLA, Elvia R. 1994. Desigualdades de gênero. Revista Estudos Feministas, n.2
BEAUVOIR, Simone de. 2002. O Segundo Sexo, vol. I. 12ª ed. Tradução de Sérgio Milliet. Nova Fronteira: Rio de Janeiro.
BUTLER, Judith. 1998.Fundamentos Contingentes: O feminismo e a questão do "pós-modernismo". Cadernos Pagu. 11 p. 11 – 42.
FILHO, Nélson Pires. 2005. Ciganos Rom-Um povo sem fronteiras, Ed. Madras: São Paulo.
GANDRA, Alana. 2008. Número de ciganos que vivem em acampamentos no Brasil é estimado em 250 mil. Agência Brasil. 30 de março de 2008. Disponível em: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/30/materia.2008-03-30.2062616719/view. Acessado em 20 de junho de 2009.
JUSTE, Marília. 2005. Ciganos querem documentação diferenciada. 04/07/2005. Disponível em: http://www.pnud.org.br/raca/reportagens/index.php?id01=1294&lay=rac#, acessado em 20 de junho de 2009.
MOONEN, Frans. 2008. Anticiganismo: os ciganos na Europa e no Brasil. Núcleo de Estudos Ciganos. Recife. Disponível em: www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html.
NICHOLSON, Linda. 2000. Interpretando o gênero. Revista Estudos Feministas, ano8, p.9-41.
SCOTT, J. W. 1998.Entrevista com Joan Wallach Scott. Revista Estudos Feministas, ano 6.
SOARES, Vera. 1994. Movimento Feminista: Paradigmas e desafios. Revista Estudos Feministas, ano 2.
TEIXEIRA, Rodrigo Corrêa. 2008. História dos ciganos no Brasil. Núcleo de Estudos Ciganos, Recife. Disponível em: www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html.
VELOSO, Letícia. 2008. Autonomia das mulheres ciganas em família, na sociedade e no mercado de trabalho. Revista Autor. Em: 01/12/2008, disponível em: http://www.revistaautor.com/index.php?option=com_content&task=view&id=328&Itemid=38, acessado dia 06 de julho de 2009.
[1] Segundo Teixeira (2008): "os ciganos pensam em si próprios de forma fragmentária. Cada cigano tem uma forte identificação com seu grupo familiar ou com as famílias que têm o mesmo ofício. Mas não existe uma identidade única entre todos os ciganos" [...]. No domínio dos ciganos, não existem senão múltiplas identidades. Daí que o termo cigano não designa as comunidades por nomes que elas próprias dão para si. Ele designa, isto sim, uma abstrata imbricação de comunidades ciganas. A diferença é muito grande, pois na realidade não existem ciganos, mas sim diversas comunidades (historicamente diferenciadas) chamadas de ciganas, mantendo relações de semelhança e/ou dessemelhança umas com as outras. (p.10-11)
[2]Frans Moonen (2008) explica que o chamado grupo cigano é constituído, na verdade, de ciganos/as de origem Calon, Sinti e Rom, e que entre esses também há subgrupos. Ou seja, quando falamos em ciganos/as estamos reunindo sobre uma mesma denominação diferentes grupos, com diferentes aspectos culturais ciganos. Entretanto, para facilitar nosso estudo, eu mencionarei (de um modo geral) grupos ciganos ou etnia cigana, como são popularmente conhecidos/as.
[3] As diferenças entre os gêneros são naturalizadas através da biologia, ou seja, os órgãos reprodutores ditam o lugar na sociedade a qual os gêneros pertencem. Esse pensamento naturalizador permite que as diferenças entre os sexos seja o mote fundamental para a dominação do homem sobre a mulher na sociedade. A dominação masculina é uma hierarquia historicamente criada do homem sobre a mulher, baseada nessas naturalizações superficiais. Essa hierarquia relegou ao gênero feminino os recônditos da esfera privada, enquanto para o gênero masculino a esfera pública era seu reino.Bourdieu, em A dominação masculina, pretendeu revelar como a estrutura de dominação masculina foi construída, se naturalizou e se mantém na sociedade, sendo reproduzida por ela.
[4]Uso aqui Movimentos Feministas, pois esses movimentos são heterogêneos, tendo diferentes correntes ideológicas, diferentes nomeações como: Feminismos Contemporâneos, Feminismos Socialistas, Feminismos de cunho Liberal, etc. Os Movimentos Feministas lutam pela questão de gênero, por questionar os sistemas culturais e políticos construídos através do gênero, pela sua autonomia em relação a outros movimentos e pelo princípio da horizontalidade, isto é, da não existência de hierarquias (Costa, 2005).
[5] "As feministas há muito vem percebendo como argumentos relativos às explicações biológicas para personalidade e comportamento generalizam equivocadamente aspectos específicos da personalidade e do comportamento para todas as sociedades humanas. Mas o fundacionalismo biológico não equivale ao determinismo biológico porque, ao contrário deste, inclui algum elemento de construcionismo social (Nicholson, 2000, p.13)."
[6] Ainda segundo a autora, ao desconstruir conceitosnão estamos negando-os ou recusando-os, mas sim que continuaremos a "usá-los, repeti-los, repeti-los subversivamente, e deslocá-los dos contextos nos quais foram dispostos como instrumentos do poder opressor" (Butler, 1998, p.38).
[7] Blog de Valéria Fernandes, chamado "Vida Cigana", link:http://losciganos.blogspot.com/
Artista: Maria do Carmo da Hora, link: http://www.flogao.com.br/ciganinhas
[8] Blog Ciganos do Brasil, link: http://ciganosbrasil.ning.com/;
Blog Direitos dos Ciganos, Direitos Humanos (DHnet), link: http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html ;
Site: Studium 9 (Mulheres ciganas: entre a exuberância e o mistério), link: http://www.studium.iar.unicamp.br/nove/4.html?studium=index.html (não concordo com o texto, mas sim com a exposição de fotos de ciganas reais); Blog Etnia Cigana : http://www.etniacigana.blogspot.com (nesse blog existem vídeos explicativos sobre a sociedade cigana feitas pela cigana Jade).

Fernanda Amaral
Fonte:webartigos.com

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